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Apesar de aprovação do pacote, bolsas caem

Folhapress
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Washington - A Casa dos Representantes (deputados) aprovou ontem o plano de ajuda bilionária ao setor financeiro proposto pelo governo americano, endossando assim a decisão do Senado tomada na quarta-feira. O pacote recebeu 263 votos a favor (sendo 91 republicanos e 172 democratas) e 171 votos contra (108 republicanos e 63 democratas).

Assim que o presidente George W. Bush sancionar o texto, o projeto vira lei. Mais cedo, os deputados haviam decidido que o pacote iria à votação sem sofrer emendas, o que evita a necessidade de nova discussão.

Os deputados mudaram de opinião - a proposta foi rejeitada na última segunda -feira por 228 votos contra e 205 a favor - depois de acrescentados itens que “adoçaram” o remédio que parecia apenas destinado a salvar o setor financeiro. Entre os itens incluídos pelo Senado estão US$ 700 bilhões mais US$ 150 bilhões em isenções e benefícios fiscais para a classe média, pequenos empresários e famílias atingidas por acidentes naturais.

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, agora tem a anuência do Congresso para comprar um artigo conhecido por um nome pouco atraente: títulos “podres”, ou papéis cujo resgate é muito improvável - conseqüentemente, cujo risco de calote é alto. A maioria destes ativos são ligados às hipotecas “subprime” (de alto risco).

Pacote não bastou

Ainda que muito aguardado, o pacote aparentemente não bastou para convencer o mercado financeiro. Um dia depois do “sim” , a maior parte das bolsas asiáticas fechou em queda; as européias subiram ao longo do dia, mas fecharam em baixa.

Em Wall Street, o dia de ontem foi de forte retração, influenciada por dados sobre o setor industrial e pedidos de seguro-desemprego. O temor é que o pacote não tenha chegado a tempo para evitar a “R-word” (a forma como o mercado financeiro se refere à recessão). O mercado de trabalho americano teve o maior corte de empregos em mais de cinco anos, aumentando os temores de que a principal economia mundial entrará em forte recessão.

“(É) particularmente crucial que os poderes públicos adotem medidas enérgicas para favorecer o restabelecimento dos fundos próprios no sistema financeiro”, diz o documento, que teve trechos divulgados ontem. “A reviravolta da conjuntura dos EUA pode ser mais violenta e pode evoluir para uma recessão.”

O ciclo que se fechou ontem foi iniciado pelo próprio secretário no dia 19 do mês passado, ao dizer que seriam precisos “centenas de bilhões de dólares” para impedir que fosse adiante uma seqüência que, até então, incluía a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, a venda do Merrill Lynch a preço de ocasião ao Bank of America e ajudas bilionárias à seguradora AIG e às gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac.

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