Os bauruenses foram às urnas e escolheram Caio Coube (PSDB) e Rodrigo Agostinho (PMDB) para a disputa do segundo turno nas eleições municipais. O resultado da eleição mostra que a sociedade preferiu esperar o aprofundamento da discussão política, o confronto específico de programas de governo e, além disso, a cobrança pela tomada de posturas dos que se dispuseram a governar a cidade para escolher o prefeito.
Caio Coube recebeu das urnas 40,39% dos votos (71.920), Rodrigo Agostinho obteve 32,25% (57.431), Clodoaldo Gazzetta (PV) 16,9% (30.102), Rosa Izzo (PDT) 9,78% (17.423), Márcia Camargo (PSOL) 0,45% (796) e José Leme (PHS) 0,22% dos votos (397). Brancos somaram 6.831 votos, os nulos chegaram a 10.551 e a abstenção foi de 38.202.
A segunda disputa eleitoral em Bauru sob o efeito da lei que permite o segundo turno para as cidades com mais de 200 mil eleitores indica que o bauruense não ficou satisfeito com a quantidade, a abrangência e a qualidade do que viu e ouviu nas ruas e nos programas eleitorais de TV. O confronto do segundo turno agora vai permitir afunilar a comparação política, de perfil e de conteúdo de propostas, situação que ficou à margem na primeira etapa da eleição neste ano.
Caio Coube chega ao segundo turno tendo mantido a liderança nas pesquisas desde antes do início da campanha eleitoral oficial. O tucano apostou as fichas na propaganda eleitoral de televisão com os motes de experiência em gestão e proximidade política com o governo estadual. Rodrigo Agostinho fixou sua campanha em compromisso com as demandas locais e a ligação de sua aliança com o governo federal.
O resultado das urnas mostra que Caio não conseguiu sustentar seus indicadores iniciais de intenção de voto, caindo de perto de 46% para 37% na contagem oficial das urnas, ontem. Entre os fatores que podem ter contribuído com a queda estiveram as críticas ao modelo neoliberal adotado pelas gestões tucanas, a exposição de que o empresário teria interesse em privatizar serviços públicos, a exemplo do PSDB, e, em decorrência desses e outros fatores, do aumento da rejeição de Caio.
Rodrigo Agostinho, ao contrário, saiu de um patamar de pouco mais de 10% inicial de intenções de voto até atingir nas urnas, ontem, a significativa votação correspondente a 31% dos eleitores. Rodrigo contou com estrutura de televisão e de rua muito menor que a de Caio nesta primeira etapa. Mas sua passagem para o confronto direto com o PSDB agora pode trazer a ajuda petista e dos aliados.
Além de ter, desde o início da campanha, insistido em polarizar com Coube no confronto político-eleitoral, Agostinho conseguiu se fixar como alternativa a possível governo tucano.
Também colaboraram, por relação de conseqüência, para a necessidade de segundo turno em Bauru a rejeição à candidatura populista, e calcada apenas nas antigas realizações de Antonio Izzo Filho, realizada por Rosa Izzo (PDT) e ao crescimento potencial de Clodoaldo Gazzetta (PV) mas sem condições, ou tempo e estrutura disponíveis, para se contrapor aos dois primeiros colocados.
Composições e apoios
A disputa no segundo turno integra boa parte dos partidos que apóiam os tucanos no governo paulista, com DEM, PPS e outros e, do outro lado, a maior parte da base de sustentação do governo federal repetida em Bauru ao redor de Agostinho, com PMDB, PT, PSB, PC do B e PR.
A composição de apoios nesta segunda etapa conta com petebistas locais mais próximos de Rodrigo e a simpatia maior de pedetistas pelo adversário dos tucanos. Mas Caio Coube terá a oportunidade de tentar sensibilizar também essas legendas e de buscar repetir, como ocorreu em 2004, o apoio do PV à sua candidatura.
Em relação à posição dos candidatos majoritários que disputaram o primeiro turno, José Leme (PHS) já avisou que é anti-Caio, Márcia Camargo (PSOL) não se posicionou mas sua plataforma socialista condena tanto Caio quanto Rodrigo e Rosa Izzo (PDT) não comentou sobre qual é sua tendência.
Nos bastidores, integrantes da chapa Bauru de todos já conversam com lideranças petebistas e pedetistas. Mas os diálogos levam em conta a possibilidade de Rosa e o ex-prefeito Izzo Filho, eventualmente, não manifestarem suas posições.
Pesam nestas conversações a elevada rejeição que carregam o grupo de Izzo Filho, de um lado, e do atual prefeito Tuga Angerami, de outro. Rodrigo tenta colar Tuga em Caio, mas, se contar com o apoio do PDT, vai sofrer o desconforto de ter ao seu lado o partido que deu guarida à candidatura de Rosa Izzo.