Se há uma coisa que pode ser dita a respeito das eleições deste ano em Bauru é que elas foram tranqüilas. Ausência de filas, pequena movimentação de candidatos, um pouco de sujeira nas ruas (mas nada que lembre a imundície dos anos anteriores) e nada da malfadada boca-de-urna. Este foi o cenário que predominou na maioria dos locais de votação no dia de ontem.
Nos distritos policiais (que retomaram momentaneamente suas atividades, para garantir que o processo eleitoral transcorresse dentro da normalidade) o movimento foi bem abaixo do esperado. Ontem, ao final da tarde, apenas duas ocorrências de vulto haviam sido apresentadas no Plantão da Polícia Civil: uma apreensão de crack (cerca de 60 porções), ocorrida por volta das 11h30, no Parque Santa Edwirges; e um acidente envolvendo uma moto e uma bicicleta, com vítima leve, às 10h55, na Vila São Paulo.
Do mais, nada de anormal. Na 23.ª Zona Eleitoral, uma urna apresentou falhas no sistema e precisou ser substituída. O problema foi constatado por um mesário antes do início da votação, não chegando a comprometer o andamento do processo.
Pela manhã, alguns eleitores reclamaram pelo fato de não terem conseguido visualizar a foto do candidato na urna eletrônica. Um deles era o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que votou pela manhã na EE “Ernesto Monte”. (Leia mais na página 9)
Um fiscal explicou à reportagem que o problema pode ter ocorrido porque os eleitores pressionaram a tecla “confirma” imediatamente após digitar o número do candidato, não dando tempo para que o sistema gerasse a foto do escolhido. O funcionário garantiu que isso não atrapalharia o registro dos votos.
Ainda na EE “Ernesto Monte”, César Norato, que foi presidente de mesa em eleições anteriores, foi impedido de ir à urna acompanhado da filha de 9 anos. Ele resolveu protestar contra a proibição, alegando que além de não contar com embasamento legal a medida estaria atrapalhando a formação das futuras gerações de eleitores. O presidente da mesa acabou acolhendo a reclamação e depois admitiu que teria agido com excesso de zelo.
O dia de ontem também foi marcado por protestos isolados realizados por cidadãos descontentes com a realidade política da cidade e do País. Roberto Santarcangelo, que mora em Bauru há cerca de 10 anos, compareceu à escola estadual “Ernesto Monte” para votar vestido de preto da cabeça aos pés.
O detalhe que mais chamava a atenção em seu figurino, porém, era um pregador de roupas colocado em seu nariz. Ele alegava que o adereço era uma forma de demonstrar sua revolta com relação à sujeira nos locais de votação (os “santinhos” e panfletos com propagandas de candidatos que costumam ser jogados ao chão em dias de eleição) e à falta de compromisso dos candidatos com a cidade.
Três jovens também resolveram apelar para a criatividade na hora de protestar. Eles compareceram à escola estadual “Mercedes Paes Bueno” para votar vestidos de palhaços. Em manifesto enviado ao JC eles (que não quiseram fornecer suas identidades) explicaram que se trajaram dessa forma e brincaram com os eleitores, fingindo apoiar um candidato fictício, para denunciar as limitações da democracia brasileira e despertar a reflexão nas pessoas.
Além do protesto, muitos eleitores aproveitaram o dia de ontem para se vacinar contra a rubéola. A campanha, que em Bauru foi realizada por meio de uma parceria entre as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde, pretendia aproximar a cidade da meta estipulada pelo Ministério da Saúde - ou seja, 70% dos indivíduos com idades entre 20 e 39 anos imunizados contra a doença.
Um deles era o estudante de publicidade Marcelo Brito, 21 anos. “Fui deixando a data passar a acabei me esquecendo de tomar a vacina”, explicou ele, pouco após votar na EE “Ernesto Monte”. Até por volta das 15h de ontem, cerca de 130 pessoas foram vacinadas.
A tranqüilidade era grande também no cartório da 23.ª Zona Eleitoral, responsável pela apuração dos resultados do pleito. “O processo foi calmo, mais do que o esperado. As urnas responderam bem, os preparativos foram ideais e o eleitor já estava familiarizado com o equipamento”, afirmou o chefe do órgão, Luciano Olavo da Silva.