Século 15, o panorama social europeu sofre uma radical transformação, terra não é mais sinônimo de riqueza, o feudalismo tem seu fim decretado. Movidos por pensamentos da doutrina capitalista, o homem necessita de metais preciosos para ter poder, o trabalho é trocado por dinheiro e o colonialismo se desenvolve com as potências marítimas Portugal e Espanha. No Velho Continente, artesãos e alfaiates trabalham sozinhos para se adaptarem à nova doutrina, em que o dinheiro começa aparecer.
A sede pela moeda faz países como a Inglaterra procurar mais que metais preciosos em colônias, faz ela se industrializar. Antes solitários, os artesãos e alfaiates trabalham em grupo, com ajuda da novidade do momento: máquinas a vapor. Esse é o contexto da revolução industrial, que trouxe com ela a utilização da energia, o fator que até hoje, século 21, move e ao mesmo tempo mata o Planeta.
A energia avançou lado a lado com a necessidade da tecnologia. De vapor passou à elétrica e em vez do tradicional e arcaico carvão usa-se o petróleo. Ambas têm um ponto específico em comum: geram grande quantidade de poluição na degradada atmosfera terrestre.
Enquanto a tecnologia continua avançando em progressão aritmética, as fontes de energia estagnaram, apesar das descobertas de novas fontes renováveis, como a nuclear, a solar e a eólica, a dependência do petróleo é imensa, tanto em eletricidade quanto em combustível. Será que é tão difícil ser independente do petróleo?
Sim, é difícil. Por exemplo, o Brasil, a maior parte da energia elétrica provém de hidroelétricas e o etanol está substituindo gradativamente a gasolina. Mas dados mostram que a energia hidroelétrica será insuficiente para acompanhar o desenvolvimento brasileiro e como iremos suprir? Com energia nuclear e com as energias que geram poluentes, derivadas do petróleo e do carvão mineral. E os combustíveis? Na entressafra da cana-de-açúcar, com a falta de etanol, recorreremos a quê? Ao petróleo, é claro.
Ele, hoje, move países, mas sua utilização irresponsável pode ser considerada o principal motivo do aquecimento global. É impossível eliminá-lo do mercado, pois a dependência que ele nos causou é enorme, mas é possível sim introduzir a energia renovável em substituição ao petróleo em vários setores, como já acontece na geração de energia elétrica. Se o ouro negro entrar em decadência, teremos opções que não poluem o ecossistema terrestre, como energia nuclear, hidroelétrica, biomassa, geotérmica e eólica.
Assim como dois séculos atrás vivemos em um contexto e revolução industrial, com produção em massa e uso demasiado de combustíveis poluentes, mas diferentemente de duzentos anos atrás, o homem tem consciência do mal que isso faz à terra e tem chance de mudar o panorama. O mundo tem recursos para manter o desenvolvimento sem gerar poluição, porém a fumaça gerada pelo petróleo e os dólares obtidos através de sua venda cegam cada vez mais quem deveria abrir os olhos e se preocupar com o futuro do planeta.
Pedro Henrique Pezzutto Ramos