Tribuna do Leitor

Fim do primeiro turno


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Num balanço rápido, apoiado em declarações de jornais, vemos candidatos novos, realmente contentes, sendo eleitos por uma população ávida por mudanças reais em nossa cidade. Outro grupo, dos não-eleitos, tentando aprender onde erraram, preparando-se para futuras investidas políticas. Muito lúcida a declaração do deputado Pedro Tobias, recentemente, neste jornal, de que a população não deve esperar que tanto o governo estadual, como o federal, vá abrir os cofres para Bauru, num país com mais de 5 mil municípios. Observar que ambos os finalistas para a prefeitura tiveram apoios declarados de seus caciques. Temos um tempo para analisar as duas propostas, antes de elegermos qual a melhor.

O que mais me espanta, é vermos o noticiário mostrando o presidente Lula intensificando o apoio à Martha em São Paulo, pois vejo segundas intenções de “ganhar” as eleições no Estado mais produtivo e rico para adquirir maior poder de alavancar a sua preferida à sucessão. O governador também pretende se fortalecer, visando suas pretensões ao governo federal. E nós, eleitores, o que recebemos em troca? Falta de uma resolução rápida para problemas como a greve dos policiais, desprotegendo as cidades, greve nos bancos, onde o nosso ordenado, pagamentos e aplicações são realizados, ficando o ônus para o contribuinte dessas paralisações. Agora são os médicos anestesistas que deixam de atender a população necessitada de cirurgias. E por aí vai.

Quem, na sua campanha política, defendia publicamente instalações de presídios em nossa cidade, aumentando a população de familiares desses detentos e as suas conseqüências? Quem cumpriu as promessas de melhoras significantes, e não pontuais, na saúde, educação, transporte, redes de água e esgoto, vias públicas minimamente transitáveis, projetos inteligentes para suprir as carências que já são preliminarmente conhecidas? Causa espanto ouvir do presidente da República, fumante, dizer que na sala dele, quem manda é ele, passando por cima da legislação. Os políticos dirigentes, fazem questão de deixar claro que o poder decisório é só deles, mas se esquecem que somos nós os que escolhem seus dirigentes, para bem aplicar os impostos diretos e indiretos, arrecadados para os devidos fins.

A administração pública é diferente da administração privada, onde os proprietários são poucos e poderosos. Na pública, é o nosso dinheiro que será administrado e destinado, de acordo com as prioridades. Na primeira fase dessas eleições, pelos resultados finais, observamos o poder das máquinas políticas, que resultou num segundo turno, onde os dois candidatos têm seus protetores. E depois da eleição, como ficaremos nós, contribuintes indefesos? Quero ouvir propostas concretas, dentro dos níveis compatíveis de volume de caixa deste município e não, como no debate televisionado, uma enxurrada de propostas condicionadas à liberação de benesses de um governo estadual ou federal, como se algum deles fosse a chave final da abertura desses cofres. Todos os impostos municipais, estaduais ou federais, por princípio, devem ser revertidos para atender as necessidades da população como um todo, e não de particularidades viciadas.

Fiquemos de olhos abertos e com os pés no chão, relembrando que as propagandas alertaram fartamente, para as conseqüências de uma má escolha, e que de alguma forma influenciou os eleitores, refletindo nos resultados surpreendentes, para alguns, neste último pleito.

Arnaldo Pinzan

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