Lavar roupas, fazer marmitas, costurar, produzir salgados e tantos outros serviços que, se não garantem a renda da família, pelo menos ajudam no final do mês nas despesas. Algumas dessas pessoas buscaram qualificações em cursos profissionalizantes e de um quarto, geralmente no fundo quintal, fizeram seu salão de beleza, sua cozinha ou seu ateliê de costura. Sem qualificação profissional para buscar um emprego com carteira assinada, elas ajudam em casa com o que aprenderam no dia-a-dia ou em um curso rápido.
Seja de uma forma ou de outra, pelos bairros da cidade é possível encontrar um gama de serviços oferecidos por pessoas movidas exclusivamente pela necessidade. Maria Conceição Gutierrez Costa trabalha com a comercialização de marmitas na sua própria casa, localizada no Jardim Olímpico. A mãe foi quem começou o negócio há nove anos e ela resolveu ajudá-la a preparar as marmitas para vender no almoço.
“Depois de algum tempo minha mãe decidiu parar, mas eu resolvi assumir tudo e toquei o negócio”, lembra. Costa conta que hoje prepara cerca de 100 marmitas todo dia e que para atender a demanda a filha a ajuda. Além disso, ela tem uma auxiliar que trabalha como diarista, sem contar o motoqueiro que faz as entregas.
Com o dinheiro que ganha todo mês, cerca de R$ 2.000,00, Costa conseguiu, além de ajudar nas contas domésticas, fazer algumas reformas que a casa precisava, como adaptar um local para preparar os alimentos.
Com saúde debilitada, Vilma da Costa Pinto, 61 anos, é outra trabalhadora que encontrou em casa a fórmula para garantir seu sustento. Ela conta que trabalhou a vida toda na lavoura e que por ter que enfrentar do serviço pesado por muito tempo, hoje não tem mais saúde para procurar um emprego fixo.
“Enquanto trabalhava no corte da cana, consegui comprar duas máquinas de costura que são de onde tiro o meu sustento hoje”, diz. Ela conta que faz todo tipo de serviço de costura e que consegue ganhar de R$ 150,00 a R$ 250,00 por mês. “Eu faço pequenos consertos, camisetas, ajusto calças e vestidos”, conta.
Em busca de ganhar dinheiro, Eunice Cristina Lemos de Alencar percebeu que poderia ganhar mais dinheiro em casa do que trabalhando como faxineira. “Trabalhei faxinando por muitos anos e percebia que nenhuma de minhas ex-patroas gostava de lavar e passar, por isso, decidi comprar três máquinas de lavar para oferecer esse tipo de serviço”, conta.
Alencar conta que lavando e passando em casa consegue ganhar cerca de três vezes mais do que ganhava como empregada. “Eu lavo, minha duas filhas e minha mãe passam as roupas, que depois são entregues aos clientes”, relata. “A propaganda é feita pelo próprio cliente, que, satisfeito, indica para outros interessados meus serviços aqui na Vila Coralina”, completa.
Carmem Terezinha Quadros Martins enfrenta dois trabalhos para ajudar a filha com quem mora a complementar a renda da família. Além de trabalhar como cozinheira em um serviço fixo, ela ainda pega encomendas de salgados, bolos, pães para fazer à noite ou nos finais de semana. “Aprendi a fazer essas coisas não em cursos, não, foi em casa, com a minha mãe”, lembra.
Martins prepara salgados de todos os tipos, como coxinhas, esfihas, quibes e croquetes para festas de aniversário, além de aceitar encomendas de massas e pães.