Araraquara - A estudante universitária Flaviana Barbosa, 27 anos, saiu do coma induzido depois de permanecer inconsciente por 19 dias nos hospital de Araraquara e, agora, em uma ala especial para queimados em Ribeirão Preto. O quadro de saúde permanece estável e ela não respira mais por aparelhos. Flaviana já mexe os membros e, segundo familiares, apresenta uma recuperação muito boa e sem seqüelas neurológicas.
“Estávamos esperando por isso e, anteontem (domingo), quando chegamos no hospital para visitá-la ela tinha saído do coma induzido. É uma bênção”, diz a mãe de Flaviana, a dona-de-casa Elza Barbosa. Mais animada com a recuperação da filha, Elza conta que a estudante reconhece todos os parentes e só não fala por estar com a garganta obstruída. A jovem passou por uma traqueostomia, que é uma abertura cirúrgica feita pelo pescoço até a traquéia. Normalmente coloca-se um tubo para permitir a passagem de ar e a remoção de secreções do pulmão.
A jovem foi transferida para o Hospital São Paulo, em Ribeirão Preto, na semana passada. Antes ela permaneceu internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Beneficência Portuguesa em Araraquara (117 quilômetros de Bauru). Segundo sua mãe, o tratamento na câmara hiperbárica foi intensificado e a filha passará de uma sessão por dia para duas. Trata-se de um método terapêutico, no qual o paciente é submetido a uma pressão maior que a atmosférica, no interior de uma câmara hiperbárica, respirando oxigênio a 100%.
Cirurgias
Flaviana também fez três cirurgias para retirada de tecidos mortos. “Tem um cirurgião plástico acompanhando ela para ver quando será possível operar”, conta a mãe. Flaviana teve lesões no peito, rosto e membros do lado esquerdo. Ela permanece internada desde o dia 26 de setembro quando foi atropelada e arrastada por 900 metros ao ser derrubada da moto junto com o noivo na Avenida Manoel de Abreu, estrada que liga Araraquara a Américo Brasiliense.
Depoimento
O delegado Luíz Armado Goyos Ferreira, do 3º Distrito Policial, que relatou o inquérito referente ao atropelamento de Flaviana, acredita que na esfera judicial o depoimento da jovem será muito importante. “Ela vai poder contar exatamente como foi”, frisa o delegado que aguarda o laudo clínico sobre a possível embriaguez do motorista. Até então, a polícia não sabe detalhes como: Flaviana ficou acordada ao ser arrastada? Ela gritou por socorro?
Se a estudante continua no hospital o pintor de carros A.A.O., 26, acusado de arrastá-la, continua preso desde que teve agravada a sua situação. Se antes responderia por lesão corporal, agora será processado por tentativa de homicídio. Ele está preso na ala de provisórios da Penitenciária local. No dia do acidente, a polícia o responsabilizou por dirigir embriagado. O rapaz nega ter visto a jovem presa embaixo do carro e, por isso, não parou o carro e a arrastou.