Tribuna do Leitor

Caminhando como professora ou educadora?


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Ser professora durante algumas décadas nunca foi uma tarefa simples. Mas parece que agora a situação ficou ainda mais complicada. A rápida aceleração das informações, as transformações econômicas, políticas, sociais, culturais estão nos levando a um mundo de incertezas e de mudanças. Sem contar o impacto da globalização para a educação, a dialética entre o global e o local, o aumento da violência urbana, as drogas e suas conseqüências, o foco da aprendizagem no aluno, a importância das relações interpessoais, a falta de perspectivas profissionais dos alunos, aliada com aumento da competitividade e do individualismo. Todos estes fatores exigem do professor um novo perfil profissional e das escolas e uma missão quase impossível.

Cada vez mais exigem-se dos professores e da escola esforços no sentido de mudar este cenário, atuando sobre o desenvolvimento pessoal do aluno, para que ele socialmente possa contribuir para melhorar essa realidade.

E para agravar esta situação os mecanismos de avaliação do sistema apontam graves deficiências na educação: alunos de ensino médio têm nível de aprendizagem compatível com o esperado nas 5.ª e 6.ª séries, professores formados em algumas universidades públicas ou particulares são mal formados, há problemas sérios na alfabetização, na matemática, na redação. E em algumas regiões, há professores leigos dando aulas, o salário é humilhante e a exigência de competência técnica, política, estética e ética é gritante.

Para complicar ainda mais, as novas linhas pedagógicas que se sucedem, os modismos, e sua compreensão. Quando você pensa que entendeu aparece outra, dizendo que a culpa é do professor e não do aluno. E a má qualidade do ensino é responsabilidade do professor mal preparado, da escola descompromissada, do diretor que não exerce sua liderança... Segundo as últimas tendências quem reprova é mau professor e escola é comunidade de aprendizagem. E os alunos? Alguns estão interessados em aprender, mas a maioria, os adolescentes, são movidos apenas pelo hedonismo, pragmatismo e utilitarismo. E nesse contexto, a relação professor/aluno é supervalorizada. E aí ser professor é sinônimo de especialista em relações humanas. Aliás, até o termo “professor” não serve mais. Educador é muito mais amplo...

E agora, para finalizar, os serviços governamentais aproximam-se dos princípios da gestão empresarial, nos quais a busca pela eficácia e eficiência é o valor maior. Mas empresas trabalham com números e não com pessoas... Há agora objetivos estratégicos, missão a cumprir, metas a atingir... Mas escola... é empresa?

Leda Fernandes Michellão - pedagoga, professora da Faag - Agudos-SP

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