Regional

Adubo de Cabrália é excepcional para agropecuária

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Cabrália Paulista - Os primeiros resultados do monitoramento da qualidade do biofertilizante produzido no biodigestor projetam transformações significativas para o cenário de adubação da agropecuária brasileira. A primeira coleta de informações demonstra um efluente com 59,9% de ausência de coliformes fecais, qualidade considerada surpreendente por Lourenço Magnoni Júnior, diretor da Escola Técnica Estadual (Etec) “Astor de Mattos Carvalho”, onde foi implantado o projeto de biodgestor, em Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru) . “É muito mais puro do que os rios de muitas cidades que são considerados limpos. Esse biofetilizante gerado no processo de biodigestão está sendo utilizado nas lavouras da escola técnica.”

O biofertilizante foi usado em pés de café, goiaba, no preparo da terra da plantação de feijão e hortaliças. “A experiência ainda na fase empírica, segundo o professor Eduardo Bianconcini Teixeira Mendes que é coordenador do curso de agropecuária, apresentou ótimos resultados. As plantas ficaram mais viçosas e sofreram menos ataques de ferrugem, no caso do café,” observou o diretor.

O uso do biofertizante apresenta duas vertentes de economia, na avaliação do diretor. “Não precisa comprar adubo químico e diminui os gastos com defensivos contra pragas. As plantas ficam mais resistentes a doenças.”

A pesquisa com hortaliças está no início, porém os resultados devem ser obtidos num prazo curto. “A alface fica pronta para colheita em um mês. Elas foram plantadas em grupos de vasos. O primeiro grupo é o de controle que só recebe água. No segundo grupo, recebe adubo químico e, nos dois últimos, recebem biofertilizante em diferentes concentrações. Ao longo dessas semanas, eles vão observando e anotando. Eles vão analisar a qualidade do solo e quantificando os resultados. Esse estudo foi desenvolvido com milho. Os resultados estão sendo quantificados.”

O “bexigão”, como é conhecido o biodgestor, processa 14 mil litros de efluentes que seriam despejados diariamente pela Etec em fossas, sem o tratamento adequado, poluindo o meio ambiente. Mais do que o ganho ambiental, as fezes dos 300 estudantes e cerca de 50 porcos passaram a gerar o biofertilizante, biogás para a cozinha e aquecimento dos abrigos de animais e fornecer energia elétrica usada para, por exemplo, impulsionar motores. O projeto coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a Etec, do Centro Paula Souza.

A experiência com o biogestor teve início no final de 2006 e entra na fase de desenvolvimento de pesquisa tecnocientífica. Pioneira no Brasil, ela tem por objetivo a quantificação econômica, a qualidade do biogás e do biofertilizante para implantar o tripé que vai mudar o cenário da agropecuária brasileira, analisa o diretor. “ A agropecuária produz muitos resíduos e esse resíduo está contaminando o solo e a água.

O objetivo da Embrapa quer que a agropecuária brasileira, ao longo dos próximos anos, tenha sustentabilidade econômica e ambiental. Fator fundamental até mesmo para que o Brasil consiga ampliar ainda mais a posição confortável que tem no mercado internacional.”

O biodigestor existe desde o século 19 mas nunca foi feito um estudo sério. Com a experiência, a Embrapa pretende tornar o metano (biogás) menos corrosivo. “Com a aplicação da tecnologia tornar o metano menos corrosivo. Um dos propósitos da pesquisa é desenvolver uma série de filtros para conseguir torná-lo menos ácido, menos corrosivo.”

Vantagens

O biodigestor pode gerar o biofertizante que exclui a compra de adubo químico e diminui os gastos com controle de pragas. Além de beneficiar o meio ambiente. Pode ser instalado em diferentes propriedades e em diversas dimensões conforme a necessidade, avisa Magnoni Júnior.

“Pode ser usado em qualquer propriedade rural, a partir de fezes humanas, suínas ou as duas. Em Santa Catarina, onde há grande concentração de suínos, a Firestone e a Sadia vão instalar até o final do ano, três mil biodigestores, porque a maioria das águas subterrâneas deles estão contaminadas.”

O projeto desperta a atenção dos estrangeiros que já vieram conhecer o projeto que vem sendo desenvolvido na escola técnica de Cabrália Paulista. “Recebemos visitas do Canadá, Estados Unidos, República Dominicana, Peru, México e Japão. O Japão tem uma série de dificuldade de dar destino final a aves porque o problema deles é espaço. Eles consomem muita carne de aves, produção de resíduos é muito além do que é permitido pela legislação ambiental deles.”

Vantagem

O biodigestor, mais conhecido por bexigão, é um sistema que retira do meio ambiente fezes humanas e ou suínas e as transforma em dois bio’s: o gás e o fertilizante. O custo do biofetilizante é um dos itens mais vantajosos do projeto. Recentemente, o pesquisador Antônio Novaes, da Embrapa, disse que a tonelada de adubo custa em média R$ 1.400,00, enquanto o do biodigestor é resultado do processamento das fezes humanas e/ou suínas.

O gás metano é resultado do tratamento das fezes no processo de biodigestão. Em Cabrália Paulista, ele coloca em atividade um gerador que alimenta máquinas e aparelhos movidos a energia elétrica. A cada dia gera pouco mais de um botijão de gás.

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