Bocaina - As 13 telas sacras do pintor Benedito Calixto passam por um processo de restauração na igreja matriz de Bocaina (69 quilômetros de Bauru). Dez das 13 telas já foram restauradas pelo Ateliê Raul Carvalho, na Capital.
A última das telas restauradas até agora é a “Anunciação de Nossa Senhora”, de 1924. Ela mede 120 x 183 cm e tem as inscrições em latim “Ave Gratia Plena” (Ave cheia de Graça). Esta é a quinta tela restaurada do pintor bancada pela OHL-Centrovias, empresa, concessionária rodoviária. As outras foram “Caminhos de Emaús”, de 1925; “Transfiguração de Cristo”, 1925; “Maria e Isabel”, de 1925, e “Assunção de Nossa Senhora”, 1925.
Das 13 telas de Calixto, existentes na igreja matriz, essa é a décima que é restaurada nos últimos 18 meses dentro do projeto de preservação do patrimônio histórico e cultural, de iniciativa do prefeito de Bocaina, João Francisco Bertoncello Danieletto (PV).
Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura, a previsão é que até o início de 2009, todas as 13 telas estejam restauradas. As restauradoras Maria José Kretchetoff e Silvia Kretchetoff, do Ateliê Raul Carvalho, trabalham intensamente sob as telas para recuperá-las.
De acordo com elas, as telas apresentam pequenas trincas superficiais, estão “craqueladas”. Para corrigir o defeito, as restauradoras estão fazendo a fixação da camada pictórica para não ocorrer perdas, antes mesmo antes da limpeza de sua superfície.
Os produtos químicos usados na restauração das telas de Calixto são os mesmos utilizados no Museu do Louvre, de Paris, nos Estados Unidos, Japão e na Europa. Todos os materiais usados são facilmente reversíveis para novos processos de restauro, segundo as especialistas.
Segundo Raul Carvalho, proprietário do Ateliê, não são usadas tintas comuns, pois elas são proibidas pelo código de ética dos restauradores profissionais. “Os pigmentos importados fabricados para restauração de obras de arte evoluíram muito nos últimos dez anos. Há testes de durabilidade em laboratórios de até 100 anos”, explica.
Benedito Calixto foi convidado a pintar em 1923 telas para a igreja de Jaú. No entanto, ele teria tido um desentendimento com o padre da paróquia e foi convencido pelo cônego português, José, da igreja matriz de Bocaina, a fazer sua obra para a paróquia local.