Algo vem me incomodando ultimamente quando passo por ruas que cortam a avenida Duque de Caxias e especialmente no cruzamento da Gustavo Maciel com Joaquim da Silva Martha: meninos com o rosto grosseiramente maquiado, com aspecto famélico, fazem malabarismos com bolas de tênis para ganhar algum trocado. E o que e pior, altas horas da noite para uma crianca praticar arte.. Numa noite dessas um menino aproximou-se da janela do meu carro e pediu um trocado. Perguntei o seu nome: Davi. Disse que mora num bairro distante e que ia a escola, sim, todas as manhãs. Eu não vou dizer o nome da escola porque alguém pode ainda querer culpar a coitada da diretora...
Eu sou professor e tenho muitos Davis para ensinar. E tenho medo que o golias da fome, o golias do abuso por parte dos adultos, o golias da indiferenca das autoridades competentes, todos eles acabem por vencer o esse pobre Davi (e os outros), o que, alem de ser um fato surpreeendente em relacao ao desfecho da epica disputa biblica,significaria a nossa propria derrota como seres humanos. Ja vi um Davi desses com olheiras profundas e incapaz de concentrar-se na sala por absoluta necessidade de sono. E você, que leu esse desabafo, ajude o Davi a vencer: não dê esmola, não dê trocado, do contrário estará dizendo aos nossos Davis: continuem assim, na rua, candidatos certos a miséria anunciada. Estará também, inquestionavelmente, ajudando aqueles que os exploram. Tenha uma atitude positiva. Denuncie. Avise o Conselho Tutelar. Eu estou fazendo isso agora. Um pouco tarde, reconheco...
Nivaldo Aranda - professor