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Remédio que dá sono deve ganhar tarja

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 2 min

Com o objetivo de evitar os acidentes de trânsito causados por motoristas que dormem ao volante, a partir de 2009, os remédios que causam sonolência devem sair dos laboratórios com a tarja de alerta “Proibido dirigir”. A proposta foi encaminhada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).

Pesquisa da Universidade de Gênova, na Itália, mostra que cerca de 32% dos acidentes de trânsito no mundo são provocados por motoristas que dormem ao volante. Fazem parte da lista dos medicamentos analgésicos, antidepressivos, antialérgicos, anticonvulsivantes, remédios para o Mal de Parkinson, antipsicóticos e até mesmo medicamentos para diabetes, como a insulina.

Em Bauru, apesar do pouco questionamento dos usuários desses medicamentos, os farmacêuticos e balconistas costumam informar sobe os efeitos de sonolência. Graziela Genovez Pessoni, farmacêutica, conta que grande parte das pessoas não tem o hábito de ler a bula dos medicamentos e também não questiona sobre os efeitos. “Cabe a nós, responsáveis pela venda do remédio, passar a informação para o consumidor, pois alguns medicamentos podem ser vendidos sem receita médica”, revela. “O problema são as pessoas que não procuram orientação do farmacêutico, não perguntam sobre os efeitos colaterais. Para muitos o que importa é ficar bem”, acrescenta Graziela.

Essa é a mesma opinião de Luis Roberto Dettini, farmacêutico. Para ele, os consumidores deveriam ter mais interesse em conhecer o medicamento que vai usar. “Os remédios mais vendidos que causam sonolência são os antialérgicos e os relaxantes musculares. Além de não ler a bula, as pessoas não perguntam. Conseqüentemente, nós farmacêuticos precisamos estar sempre atentos para informar na hora da venda”, conta.

Segundo Tatiane Ferrarezi, farmacêutica, o alerta sempre é dado na hora da venda do medicamento. “Muitas pessoas têm preguiça de ler a bula dos medicamentos e, quando lêem, não entendem, se preocupam com palavras que não conhecem. Apesar do pouco questionamento na hora da compra, sempre avisamos os consumidores. Também somos um pouco responsáveis”, afirma.

Eliene Lira, balconista, também conta que há pouco interesse dos pacientes em saber os efeitos colaterais dos medicamentos. “Talvez isso aconteça porque cerca de 98% das medicações são vendidas com prescrição médica, então, pressupõe que o consumidor já tenha tido o alerta do médico”, finaliza.

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