Política

Modelo permite discussão mais aprofundada

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Além da questão da legitimidade do candidato escolhido, outro argumento utilizado por aqueles que apóiam a realização de eleições em dois turnos é o de que essa forma de disputa permitiria um maior aprofundamento dos temas da campanha e das propostas de políticas públicas.

“O segundo turno permite ao eleitor pensar mais sobre a decisão que irá tomar. Além disso, o debate realizado entre dois candidatos permite que se faça o aprofundamento das idéias de cada um”, pensa o professor Gerson Trevisani, mais conhecido como Duda, diretor do Grupo Preve.

Ele avalia, porém, que isso pouco ocorreu na disputa atual. “Infelizmente, os candidatos apelaram para a baixaria, ao invés de apresentarem propostas para sanar os problemas de Bauru”, critica Duda.

Para a cientista política Maria Teresa Kerbauy, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara, os candidatos até conseguiram fazer o detalhamento das propostas, embora não tenham sido capazes de aprofundá-las. “Eles disseram o que pretendiam fazer, mas não explicaram como”, diz.

Rodrigo Agostinho (PMDB) reconhece que as duas campanhas de fato deixaram a desejar no quesito profundidade. “Infelizmente, a pormenorização das idéias ficou restrita aos debates e a algumas entrevistas. Eu, por exemplo, tenho em minha cabeça muitas propostas detalhadas de políticas públicas para a cidade, mas, no horário eleitoral, tive de falar para um público amplo demais. Fica difícil ser detalhista em um contexto desses”, diz.

Caio Coube (PSDB), por sua vez, afirma que o segundo turno é tempo de comparação e não de aprofundamento de idéias. “É a chance do eleitor comparar a história de vida, as alianças políticas e a trajetória pública e profissional de cada candidato”, pensa.

O cientista político Rodrigo Cesar Moura não acredita que o segundo turno possibilite o aprofundamento das propostas. “Não há detalhamento ou pormenorização de conteúdos, só acirramento da competição e da agressividade. Além do quê, os candidatos continuarão dispondo - e lançando mão - das mesmas ferramentas de que dispunham no primeiro turno para atingir o eleitor”, afirma.

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