Tribuna do Leitor

Rui Barbosa e as eleições


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Estávamos em meio à meditação e preces noturnas - Gandhi recomendava abrir o dia e fechar a noite com orações!- quando fomos intuidos a tomar o livro de Rui, ao nosso lado, de título Campanhas Presidenciais, que estamos lendo, refletindo e aprendendo com seus magistrais discursos, aulas e conferências, oportunos e atuais (Editora Iracema, 3ª edição, Outubro de 1968, o ano que não terminou...) . Para nossa agradável surpresa, abrimos a página 213 e seguintes, que tinham os temas a seguir: A Questão Social e Política no Brasil, Jeca Tatu, A Visão dos Manda-Chuvas, O Brasil Não É Isso, O Que é o Brasil, As Verdadeiras Majestades, Quantidade e Qualidade, Adulação e Amizade e outros mais.Em Literatura de primeiríss ima qualidade; gramática e retórica irretocáveis. Lobatiana; uma delícia de se ler! Transcrevemos o primeiro, introdutório, e trecho do segundo (sugerimos, ao leitor, a leitura e reflexão dos demais, bem como de todo livro citado!): A QUESTÃO SOCIAL E POLÍTICA NO BRASIL - conferência no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, em 20/Mar/l9l9:

“Senhores: Conheceis, porventura, o Jeca Tatu, dos Urupês, de Monteiro Lobato, o admirável escritor paulista? Tivestes, algum dia, ocasião de ver surgir, debaixo desse pincel de uma arte rara, na sua rudeza, aquele tipo de uma raça, que, “entre as formadoras da nossa nacionalidade”, se perpetua, “ a vegetar, de cócoras, incapaz de evolução e impenetrável ao progresso”?” (Introdução).

Em seguida, descreve sobre quem é o Jeca Tatu que está para a política e quem dele se aproveita, em JECA TATU, pp. 215 e 216:

(...) -” Para Jeca Tatu, “o ato mais importante da sua vida é votar no governo”. Vota. Não sabe em quem. Mas vota. “Jeca por dentro rivaliza com Jeca por fora. O mobiliário cerebral vale o do casebre.” Não tem sentimento da pátria, nem sequer a noção do país. De “guerra, defesa nacional, ou “governo, tudo quanto sabe se reduz ao pavor do recrutamento”.

(...) -”Um fatalismo cego o acorrenta à inércia. Nem um laivo de imaginação, ou o mais longínquo rudimento de arte (...)”. Prossegue, na transcrição de mais características do famoso personagem de Lobato, para concluir:

(...) - “Não sei bem, senhores, se, no tracejar deste quadro, teve o autor em mente debuchar o piraquara do Paraíba e a degenerescência inata da sua raça. Mas a impressão do leitor é que, neste símbolo de preguiça e fatalismo, de sonolência e imprevisão, de esterilidade e tristeza, de subserviência e hebet amento, o gênio do artista, refletindo alguma coisa do seu meio, nos pincelou, consciente, ou inconscientemente, a síntese da concepção que têm da nossa nacionalidade os homens que a exploram”. Rui Barbosa - o maior intelectual (à frente de Machado) e estadista brasileiro, o “; Águia de Haia”; que, no exílio em Londres, “ensinou inglês aos ingleses”; - assim se refere aos maus políticos e carreiristas da vida pública.

Disse-o há quase l00 anos! Deixou-nos, ainda, fantástico legado de escritos que equivale a cerca de 200 livros, com aproximadamente 50 páginas cada. De sua obra póstuma - e sobre o Brasil que tanto amou e ama-, enviou inúmeros textos, em tempos diferentes, pela pena psicográfica de Chico Xavier, como em Falando à Terra, onde aparece como co-autor , ao lado de outros notáveis brasileiros de todos os tempos!

Por sua produção literária, em p rofusão, ao lado de Lobato, Amado e tantos outros autores brasileiros e por sua intensa e incansável defesa da Verdade, Justiça e do Bem comum e em defesa intransigente da soberania das Nações, pelos direitos e liberdade da raças e povos , Rui Barbosa de Oliveira faria jus a um Nobel de Literatura e/ou da Paz, sem nenhum bairrismo gratuito, nacionalismo doentio ou xenofobia da parte dos brasileiros. Pequeno em estatura, gigante em intelecto e moralidade, um dos autênticos pais da nacionalidade brasileira!

Rubens Colacino

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