Política

Para Celso Zonta, 2º turno é superficial


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A estrutura, formato, tempo de duração e regras dispostas para a disputa eleitoral em dois turnos não colaboram com o aprofundamento das discussões de problemas municipais e tornam o embate mais uma medição de força no campo político e de marketing do que uma oportunidade para ampliar os temas em busca de soluções.

Esta é a avaliação do cientista político e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Celso Zonta. “Pela maneira como o processo de dois turnos é montado e apresentado ao público, o resultado é sempre a superficialidade em torno do que é possível discutir. O formato não colabora e é insuficiente para permitir a discussão de problemas da cidade em detalhes. Uma alternativa seria o segundo turno ser aproveitado para debates temáticos, com os candidatos se confrontando em várias oportunidades e em cada uma das vezes sempre para discutir apenas um tema de cada vez, como educação, saúde, infra-estrutura”, opina Zonta.

O professor também salienta que, pela própria natureza política do embate em apenas três semanas de duração, a estratégia no segundo turno acaba por privilegiar o marketing e a comunicação, cujo objetivo é o de convencer. “A grande maioria da população também não é suficientemente informada para se colocar em condições de discutir ou analisar a discussão em torno dos planos de governo, o que também ajuda a fazer do segundo turno mais uma etapa de confronto de marketing e de perfis”, acrescenta.

Celso Zonta ainda considera o segundo turno em três semanas muito curto para possibilitar o aprofundamento da discussão. “Não houve aprofundamento e o formato e o período não ajudam”, finaliza. Logo após a finalização do segundo turno, ontem à tarde, o professor da Unesp complementou sua visão sobre o conteúdo da eleição: “Houve certo esforço na descrição das políticas públicas. Entretanto, o formato da legislação e o tempo de TV, com poucos debates e sem serem temáticos, levaram os candidatos a explorar mais o marketing do que a explicação de como vai fazer e desenvolver sua proposta”, contou.

Na avaliação de Zonta, Caio liderou as indicações de candidaturas desde 2007 a partir do paradigma de gestão da cidade. “O fato de Bauru estar com graves problemas administrativos, financeiros e pouca capacidade de investimento apontaram para alguém que tinha experiência de gestão e que este perfil seria útil. Mas este paradigma não foi devidamente explorado no processo de campanha do Caio e isso foi sendo diluído ou dando lugar para as políticas públicas, especificamente a de saúde, onde o Rodrigo Agostinho falou mais e melhor ao longo da campanha”, observou.

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