São Paulo - Mesmo antes do fim da apuração em São Paulo, a petista Marta Suplicy (PT) reconheceu a derrota na disputa pela prefeitura. Com 96.45% dos votos apurados, Gilberto Kassab (DEM) tinha 61,15% dos votos válidos, contra 38,85% de Marta. “Acabei de telefonar ao prefeito Kassab para parabenizá-lo, e quero agora agradecer aos milhões de eleitores que tiveram a confiança e votaram na gente. Ao mesmo tempo, eu agradeço a militância do PT, que foi muito aguerrida, aos sindicatos que nos apoiaram, aos aliados, que também compareceram nas ruas e deram muita força”, disse Marta por volta das 19h.
A declaração foi feita em frente da sua casa, na zona oeste da cidade, onde Marta acompanhava a apuração. Segundo ela, os moradores da cidade devem fiscalizar a atuação do prefeito reeleito.
A ex-ministra do Turismo e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) sai politicamente enfraquecida com a derrota para o prefeito reeleito Gilberto Kassab (DEM) nessas eleições municipais na Capital paulista. Mas não será a ruína para Marta, pois ela terá ainda um espaço político assegurado, mesmo que esse espaço se restrinja a cargos na área legislativa. A avaliação é de cientistas políticos entrevistados pela reportagem.
Segundo o cientista político Carlos Melo, doutor pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a ex-ministra do Turismo sai mais fraca porque é a segunda derrota dela em eleições municipais - a primeira, foi numa tentativa de reeleição. “Eu acho que a Marta, sinceramente, nunca foi exatamente uma liderança. Sempre foi uma celebridade, com um trabalho muito sério e importante numa área específica. Ela virou prefeita de São Paulo dentro de condições específicas, no ocaso do malufismo, em 2000", afirma. Mas a favor de Marta, diz Melo, está o fato de o PT não ter muitas alternativas para o governo estadual em 2010.
Ao contrário de Melo, o cientista político Humberto Dantas, conselheiro do Movimento Voto Consciente, acredita que Marta não deverá ter cacife para brigar pela cabeça de chapa do PT nas eleições ao governo de São Paulo em 2010.
Já a cientista política e socióloga Lourdes Sola, da Universidade de São Paulo (USP), afirma que Marta sai politicamente debilitada deste pleito por três causas básicas: mostrou nessa disputa que Lula não transferiu os votos necessários, acabou reforçando politicamente o adversário tucano José Serra e não conseguiu atrair uma ampla aliança de partidos em torno de sua candidatura.