Internacional

Fed corta meio ponto e juro vai a 1%

Folhapress
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Nova York - O Fed (banco central dos EUA) reduziu ontem para 1% ao ano a taxa básica de juros no país. O corte, de meio ponto percentual, foi o segundo em outubro e recolocou o juro básico americano no mesmo patamar de maio de 2004.

A redução anterior, de 2% para 1,5%, havia sido decidida em caráter emergencial e foi coordenada com vários outros bancos centrais mundiais a fim de tentar mitigar o avanço da crise financeira internacional. Há 13 meses, a taxa básica nos EUA era de 5,25% ao ano.

A medida foi recebida com sinais contraditórios entre os investidores da Bolsa de Nova York, que oscilou muito durante o dia até fechar em baixa. O índice Dow Jones teve queda de 0,82%, e o S&P 500 caiu 1,11%. Já a bolsa eletrônica Nasdaq subiu 0,47%.

No dia anterior, os principais índices da Bolsa de Nova York haviam registrado variações positivas acima de 10%, já na expectativa do corte de juros.

Em setembro, a inflação oficial nos EUA atingiu 4,9%, o que significa que o Fed fixou sua taxa básica em um nível 3,9 pontos abaixo da evolução dos preços. No mercado, no entanto, a média dos juros praticados é maior, de cerca de 4,5% - ainda assim abaixo da inflação, e agora com nova tendência de queda após o corte do Fed.

O corte foi decidido de forma unânime pelos dez membros do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês) do Fed. Eles também reduziram em meio ponto percentual a taxa de redesconto (empréstimos emergenciais para bancos), para 1,25% ao ano.

Em nota emitida após a divulgação do corte, o Fed justificou a ação afirmando que a economia americana vem sofrendo uma “acentuada” queda na atividade.

Hoje, o Departamento de Comércio dos EUA vai anunciar o crescimento do país durante o terceiro trimestre. A expectativa é de que tenha havido queda de 0,5%, a maior desde a recessão de 2001. Alguns bancos também já projetam uma contração superior a 2% no quatro e último trimestre de 2008.

Montanha-russa na Europa

Em meio às oscilações mais violentas da história, os principais mercados da Europa fecharam com alta expressiva ontem, mesmo antes do anúncio do corte de juros nos EUA. A exceção foi Frankfurt, que caiu puxada pela Volkswagen, cujas ações despencaram 45,29%. A trajetória vertiginosa dos papéis da VW nos últimos três dias ilustra a tensa volatilidade dos mercados diante da crise, um movimento influenciado pela economia real, mas que tem seus próprios caprichos.

Impulsionados pela recuperação nos preços das matérias-primas, das ações de seguradoras e de bancos, os demais mercados fecharam com altas fortes: 8,05% em Londres, 9,23% em Paris, 9,42% em Madri, 9,87% em Milão e 7,12% em Lisboa. Frankfurt assistiu a dois dias de montanha-russa. Na véspera do tombo de ontem, a VW havia se tornado, por instantes, a maior empresa do mundo em valor de mercado.

O breve reinado teve origem no anúncio da Porsche de que tinha o controle de 74,1% da Volkswagen. Isso levou a uma compra desenfreada das ações da VW por especuladores que haviam apostado na sua queda. A corrida catapultou o valor dos papéis e, mesmo com a queda de ontem, mostra que nem todos perdem.

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