Cultura

Dos tipógrafos à era digital: rapidez

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

Os pequenos jornais em Bauru eram elaborados manualmente, de acordo com o modelo artesanal das velhas tipografias (hoje gráficas). Cada tipógrafo (atuais gráficos), especializado em diferentes áreas, dependia do colega para completar a execução de suas tarefas, até que o serviço, pronto, era entregue ao cliente.

Em Bauru, o início da era tipográfica, por volta de 1900, foi composta por um parque gráfico na cidade que se destacou na região. Existiam empresas de renome, como a Tipografias Brasil (hoje Tilibra), a Tipografia Comercial, Gráfica Bauru, Vitória, A Impressora, Cruzeiro e tantas outras que mantinham expressivo número de profissionais em seus quadros funcionais. Com o passar dos anos, a maioria dessas empresas deixou de existir, menos a Tilibra, que hoje produz até cadernos de abrangência nacional.

Memorialista da imprensa bauruense, Luciano Dias Pires, historiador e jornalista, conta como eram feitas as primeiras tipografias. “O alfabeto era gravado em peças de chumbo. As frases, palavras e parágrafos eram montadas em uma caixa chamada de componidor, que o tipógrafo usava para formar os textos. Toda palavra era formada manualmente, letrinha por letrinha. Logo após tiravam uma prova e revisavam. A impressão também era manual, depois de alguns anos, foi motorizada”, relata. A produção de um jornal de aproximadamente oito páginas demorava em torno de uma semana.

Por volta dos anos 30, com a chegada do linotypo no Brasil (uma máquina com teclados alfabéticos que ordenava e fundia em chumbo as letras, inclusive frases inteiras), a produção manual começou a ser extinta. Os primeiros jornais a adotarem esse tipo de técnica em Bauru foram a Folha do Povo, Correio Noroeste e o Diário de Bauru. Tendo em vista as grandes transformações surgidas nesse campo, com as importações de maquinários fabricados em outros países, vários postos de trabalhos e funções foram extintos. Assim, os jornais foram se adaptando ao crescente modernismo em toda a sua área de ação, inclusive possibilitando a maior agilidade em seus noticiários. As novas tecnologias chegavam primeiro nas capitais e depois de um curto prazo, chegavam no interior. “Inclusive, para conseguir essas máquinas mais modernas, os jornais tinham que dispor de mais capital. Foi aí que a publicidade, que sempre fez parte das páginas de qualquer jornal como fonte de sobrevivência começou a tomar mais espaço. Era preciso captar mais anunciantes para conseguir importar mais tecnologia e modernizar a produção”, conta Pires.

Ilustrações

As primeiras ilustrações nos jornais eram feitas na Capital. O Diário de Bauru inovou nessa área: em 1946, começou a ilustrar as páginas dos jornais. Esse desenvolvimento, segundo Pires, trouxe um impulso à imprensa bauruense. Os outros jornais da época também foram se adaptando às novas técnicas para não perderem para seus concorrentes. “Mas a cidade não comportava tantos jornais. Muitos tiveram que fechar. Foi aí que em 1967 surgiu o Jornal da Cidade, que logos após alguns anos, em 1972, introduziu a técnica offset, que permite um melhor acabamento. O Jornal da Cidade foi o primeiro do Interior a operar com essa tecnologia e também criou todo um setor de artes para o jornal, facilitando a introdução de páginas mais ilustradas e bem diagramadas”, lembra Pires.

Hoje, tudo mudou. O computador tomou conta das redações, o setor fotográfico passou a contar com as máquinas digitais e, como resultado, os jornais ganharam rapidez na produção. Essa informatização em Bauru começou em 1993.

“Nós passamos a ter, com a informatização, uma qualidade de resolução da imagem sem necessitar de um gasto muito grande. Antigamente, era preciso fazer o croma da imagem e isso tornava o processo muito caro. Assim, a informatização possibilitou a qualidade do jornal como um todo”, conta o professor de publicidade e editoração da Universidade do Sagrado Coração (USC), Vitor Brumatti. A evolução no processo gráfico também possibilitou o fortalecimento dos anúncios nos jornais. “Hoje o anúncio é tratado com uma imagem, não necessita mais ser elaborado em etapas. Ele é algo pronto, reduzido a uma única imagem”, afirma. Segundo o professor, esses modelos e avanços tecnológicos foram importados dos EUA, pioneiros na área. “No Brasil, houve a necessidade de adaptarmos essa evolução gráfica ao nosso estilo próprio, que nos diferenciasse dos outros lugares”, ressalta Brumatti.

Toda a mudança gráfica no jornal proporcionou uma melhor divisão entre colunas, um melhor planejamento da página. Textos e imagens começaram a ser ocupados em lugares estratégicos. Isso facilitou também a leitura e a organização dos elementos nas paginas.

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