Bairros

Bauru sofre com chuvas há 70 anos

Por Lígia Ligabue | Com Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 4 min

Todos os anos, quando começa a temporada de chuvas em Bauru, a população volta a sofrer com avenidas inundadas, quedas de árvores e buracos nas ruas. Até o final de março, quando a estiagem recomeçar, o estrago terá sido grande. Mas a notícia desanimadora não é só essa. Os moradores de Bauru enfrentam problemas de alagamento provocados pela chuva desde a década de 30, quando a avenida Alfredo Maia já ficava inundada com os temporais.

Para enfrentar a estação das águas, a prefeitura informa que tem investido na construção das redes de galerias pluviais e na limpeza de bocas-de-lobo. Porém, destaca que, mesmo assim, é importante evitar a avenida Nações Unidas, a Alfredo Maia e outros pontos alagáveis da cidade quando o temporal começa a apertar.

Nesta segunda-feira, com a chuva forte, a cidade teve cinco pontos de alagamento, incêndio em barracão após queda de raio e a parede de uma residência foi ao chão. De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) a previsão para hoje é de tempo nublado e mais pancadas.

O coordenador da Defesa Civil de Bauru, Eros Antônio Pereira, admite que a situação não é das melhores. Ele avalia como “casos crônicos” vias como a área próxima ao viaduto da ferrovia da avenida Nações Unidas e a avenida Rodrigues Alves próximo ao Horto Florestal. Pereira denomina a avenida Alfredo Maia, na Vila Falcão, como “situação adversa”. “Há muitas enchentes no bairro decorrentes dos riachos próximos. E as favelas também sofrem com a situação”, afirma.

De acordo com Pereira, os problemas ocasionados pelas chuvas são de conhecimento do poder público. Uma das ações preventivas da Defesa Civil é informar os órgãos responsáveis sobre as principais áreas de risco da cidade. O trabalho é realizado durante o período de estiagem. “São localidades críticas, de conhecimento do poder público e inclusive do Plano Diretor”, destaca. Para o coordenador, bairros como os jardins Nicéia e Vitória e o Pousada Nova Esperança também são áreas críticas.

“A infra-estrutura está precária. Toda vez que há chuva, os locais são vitimados com enchentes. Também estamos esperando uma solução, pois se algo já tivesse sido feito, não estaríamos assim hoje”, destaca. “Mas o poder público não está omisso, ocorre que é um trabalho a longo prazo”. Ele, no entanto, não quis entrar no mérito da questão quando perguntado sobre quais obras seriam necessárias para solucionar o problema. “É uma obra de engenharia e não tenho formação para isso”, desconversou.

A Defesa Civil possui 400 cobertores e 200 colchonetes, além de mil peças de roupas e estoque de quatro mil metros quadrados de lona. O Estado se colocou à disposição para o envio, caso necessário, de mais lonas, além de cestas básicas. O material só é destinado em caso de situação adversa. “A população confunde Defesa Civil com assistência social”, reclama. Nos casos de tempestades, é realizado contato com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) para que bloqueie o acesso aos locais de maior risco.

Investimento

Procurada pelo Jornal da Cidade, a prefeitura, por meio da assessoria de comunicação, informou que ao longo dos quatro últimos anos, com os recursos financeiros disponíveis, investiu na construção de redes de galerias de águas pluviais em diversos pontos da cidade, como no final da avenida Cruzeiro Sul, no Jardim Ferraz, Vila Ipiranga, Parque Paulista, Parque Viaduto, Jardim Carolina, Santa Cecília, região da avenida Luiz Edmundo Coube e Jardim Progresso.

Também realizou a canalização de parte do córrego Água do Sobrado, na região da Vila Independência. A concretagem do fundo do riacho foi executada em um trecho de aproximadamente 100 metros de comprimento por 10 metros de largura. O leito do rio Bauru foi limpo e as passagens entre o Jardim Bela Vista e o Jardim Godoy e entre a Vila Santa Luzia e o Núcleo Beija-Flor, que eram de tubos metálicos, foram substituídos por células de concreto.

Nos últimos anos, também foi realizada a contenção das erosões existentes na avenida Nações Unidas, próximo ao Sambódromo, no Mutirão Primavera, em área que passou a ser ocupada pelo Viveiro Municipal, e no Distrito Industrial 3.

A prefeitura também destacou que entre as ações para minimizar o impacto das chuvas na cidade a Secretaria Municipal de Obras realiza, ao longo de todo o ano, trabalho de manutenção em bocas-de-lobo em toda a cidade, removendo o acúmulo de material.

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Tardes quentes

De acordo com o Ipmet, a primavera em Bauru segue as características gerais para a Região Sudeste, que é o período marcado por temperaturas elevadas, índice alto de umidade e tardes quentes com muito calor, que favorecem a ocorrência de pancadas de chuvas de intensidade moderada a fortes, de curta duração e que geralmente são acompanhadas por granizo e rajadas de ventos.

A temperatura média diária deverá ficar na faixa dos 23.6 graus. A mínima oscilará entre 17 e 18 graus e, a máxima, ficará entre 30 e 31 graus, com ocorrência de recordes nas temperaturas máximas. A umidade média relativa do ar será de 60%. A previsão de precipitação média acumulada é de 150 mm.

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