Cultura

Música da boa

Da Redação
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Profundo conhecedor do ofício de cantar, que aprendeu na noite, ao lado de outras futuras estrelas da música popular brasileira, Emílio Santiago se apresenta de um jeito diferente. Aos 61 anos, o músico mostra hoje, no Alameda Quality Center, o disco candidato a melhor produção de sua carreira.

Em “De um Jeito Diferente”, lançado no ano passado, Emílio Santiago coloca seu vozeirão a serviço de um repertório nobre. Com toda a propriedade que a longa experiência lhe deu, cercou-se de grandes músicos, de amigos novos e antigos e, de um jeito todo seu, reuniu sambas, bossas, clássicos da MPB e da música internacional com uma unidade sonora sofisticada feita para deitar e rolar. O show com jantar será realizado a partir das 21h, pela “Série Grandes Nomes”, no restaurante Beef Street.

Antes de estourar com o projeto “Aquarela Brasileira”, Emílio Santiago era cantor de noite, o que se costumava chamar de crooner. Gravava bons sambas em pequenas gravadoras, e tinha público reduzido. Quando, há dois anos, aceitou reler o repertório das “Aquarelas”, que remetia aos sete volumes da série, em um projeto ao vivo, Emílio já garantiu em seu contrato um disco em que tivesse maior liberdade artística.

Assim nasceu “De um Jeito Diferente” que traz no repertório Marcos Valle, Carlos Lyra, Rosa Passos e Joyce. Sem deixar de passar por Tom Jobim, Durval Ferreira (a quem o disco é dedicado) e João Donato. Este último, aparece com seu piano inconfundível na faixa de abertura, composição inédita com seu irmão Lysias Ênio e que batiza o disco.

Em seu material de divulgação, o músico define o atual trabalho, com o qual conquistou os prêmios de melhor cantor e disco na sexta edição do Prêmio TIM, como o samba cheio de ginga da carioca da Vila Isabel ao lado do balanço cheio de bossa do garoto da zona Sul.

“Moça Flor”, “Até o Fim”, “Água de Coco”, “Dindi”, “Não me Balança Mais”, “Um Dia Desses”, “My Foolish Heart”, “E Era Copacabana” e “Olhos Negros” são algumas das canções entre as 15 que compõem o disco. Além do álbum, o cantor deve apresentar, no show desta noite, sucessos como “Saigon”, “Verdade Chinesa”, “Cadê Juízo”, “Perfume Siamês”, “Tudo Que se Quer”, entre outros.

Carreira

Freqüentando a faculdade de direito na década de 1970, Emílio Santiago começou a cantar em festivais universitários. Participou de programas de calouros e trabalhou como crooner da orquestra de Ed Lincoln, além de fazer muitas apresentações em casas noturnas.

Em 1973 lançou o primeiro compacto, com as canções “Transa de Amor” e “Saravá Nega”, que o levaram para mais participações em rádios e programas televisivos. O primeiro LP veio em 1975, com canções esquecidas de compositores consagrados como Ivan Lins, João Donato, Jorge Ben, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Marcos e Paulo Sérgio Valle, entre outros.

Transferiu-se, no ano seguinte, para a Philips/Polygram, pelo qual lançou dez álbuns - todos com pouca repercussão. O sucesso veio de verdade em 1988, quando lançou o LP “Aquarela Brasileira” pela Som Livre, um projeto especial de sete volumes, dedicado exclusivamente ao repertório de música brasileira.

Assinou com a Sony & BMG, em 2000, com o lançamento “Bossa Nova”, que trouxe muitos clássicos do gênero e também rendeu um DVD. Prosseguiu com “Um Sorriso nos Lábios” (2001), um tributo a Gonzaguinha e outro ao compositor acreano João Donato, em 2003. Em “O Melhor das Aquerelas Ao Vivo”, reviu o repertório de música brasileira que gravou na série, e, entre os méritos, conta ser o primeiro disco ao vivo de Emílio e o segundo DVD da carreira.

• Serviço

“Beef Street Music - Série Grandes Nomes” apresenta Emílio Santiago hoje, a partir das 21h, no Alameda Quality Center (altura do quilômetro 335 da Rodovia Marechal Rondon). Entrada: R$ 89,90 por pessoa, com direito a jantar. Mais informações pelo telefone (14) 3321-5000.

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