Bairros

Área da Cteep é vendida e poderá ser pólo industrial

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Os 500 mil metros quadrados de área que um dia já pertenceram à Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e depois à Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep) foram vendidos no início desta semana ao Grupo CK, do ramo de citricultura. Até a negociação, os 20 alqueires pertenciam à empresa de energia colombiana Interconexión Eléctrica S/A Esp (ISA), que em meados de 2006 venceu o leilão de privatização da Cteep.

O valor da venda da área, situada na confluência das rodovias Marechal Rondon e João Ribeiro de Barros (Bauru-Marília), não foi informado oficialmente, assim como o nome de seu novo proprietário. No entanto, extra-oficialmente, cogita-se na cidade que a negociação tenha superado a casa dos R$ 10 milhões. Com o investimento, o grupo poderá destinar o local à implantação de indústrias, serviços e comércio, do tipo não incômodas.

Inovadora, a concepção do projeto seria semelhante a uma já instalada em Boituva, próximo a Sorocaba. A implementação da idéia, no entanto, depende de uma pesquisa a ser realizada por uma empresa já contratada pelo grupo. Ela levantará a vocação do ponto e o destino mais acertado para atender as demandas e carências de Bauru, informou Daniel Moraes, proprietário da Moraes Consultoria Imobiliária. Ele intermediou a negociação e tornou-se representante do grupo.

Ao receber a reportagem, reiterou que o novo proprietário da área não aceitou a divulgação de seu nome, nem o valor da compra. O empreendedor em questão, no entanto, reside em Bauru, admite. Por conta das características da área, que conta com grandes galpões, por exemplo, o ponto poderá acolher grandes empresas que trabalham com valores altos, além de centros administrativos e armazéns.

Conservação

São 40 mil metros quadrados de área construída em excelente estado de conservação. “Desde instalações elétricas, pisos. Tudo iluminado, com ruas pavimentadas. Tem grandes balanças de precisão. Duas portarias de alto nível. Condomínio nenhum de Bauru tem o sistema de segurança que já existe”, comenta Moraes. Não bastasse a infra-estrutura praticamente pronta, a área está situada num entroncamento rodoviário de acesso rápido ao Aeroporto Moussa Tobias.

Afora isso, está a poucos quilômetros da futura rotatória que interligará a avenida Nações Unidas Norte com a Bauru-Marília. Quando a obra estiver pronta, o acesso ao Centro da cidade não levará mais de dez minutos, avalia Moraes.

“As linhas de transmissão continuam com a ISA-Cteep. Foi comprada a gleba ao lado. As negociações levaram seis meses. Estava à venda desde 2002. Foi concretizado e assinado na segunda-feira. A pesquisa poderá dar que é bom para investimento comercial, industrial, voltado para logística, não poluente”, comenta Moraes.

De acordo com ele, trata-se do primeiro investimento do grupo em Bauru. “Tenho atendido grandes construtoras, mas não vi nada negociado desse tamanho e vulto na cidade, na área imobiliária, nos últimos anos”, conclui.

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História

A empresa de energia colombiana Interconexión Eléctrica S/A Esp (ISA) venceu o leilão de privatização da Cteep em junho de 2006 e iniciou suas operações no Brasil. A Interconexión pagou ágio de 57,89% sobre o preço mínimo de R$ 755,6 milhões. A empresa possui ativos em outros países da América do Sul. A Cteep, originária da divisão parcial da Cesp (dividida entre geradora, transmissora e distribuidora), começou a operar em 1999.

Na época em que foi comprada, tinha 11.800 quilômetros de linhas de transmissão e aproximadamente dois mil funcionários.

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Inauguração em abril

A inauguração oficial do novo empreendimento está programada para abril do próximo ano. Na oportunidade, o resultado da pesquisa que definirá a vocação do ponto já será conhecido e o projeto de investimento, encerrado. Na ocasião, o local também será batizado.

Para Daniel Moraes, ele receberá investimentos de empresas de fora, além de acolher outras de Bauru que funcionam, atualmente, de modo “estrangulado” no município. O empreendimento será sinônimo de novos empregos e valorização da região Nordeste da cidade.

Ontem, a reportagem tentou contato com a ISA-Cteep, via assessoria de imprensa, mas não encontrou quem pudesse comentar a negociação.

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