Tribuna do Leitor

Abolição da seta


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É impressionante como está diminuindo o uso da seta no trânsito. Alertar pra onde vai virar pra quê, né!? O carro de trás que se vire, que tente descobrir, aliás, pra que se preocupar com o carro de trás. Afinal, se ele bater, é ele quem paga o conserto mesmo.

É sempre assim, de repente você está dirigindo seu carro, e quando menos se espera o filho da mãe que está pilotando o carro da frente faz uma daquelas curvas absurdas. Mais do que de pressa sua mão é levada até a buzina, e você conta até dez pra não alertá-lo sobre a profissão na qual a mãe dele exerce.

Existem também os tiozinhos e as vovós. Completamente perdidos (simpáticos, mas perdidos), viram pra lá e pra cá sem noção alguma, e a seta...a seta...onde é que fica a seta ? Eu até entendo, mas...

Outra coisa que acontece muito são as senhoras que adoram ir às compras (nada contra o consumismo feminino). É meio dia, você está com pressa, só tem uma hora e meia de almoço, está quente, muito quente, absurdamente quente (sorte de quem tem ar-condicionado), o único caminho até a sua casa tem passagem obrigatória pelo centro, o temido centro da cidade. Calor, fome, trânsito, pressa, tudo junto, eis que na sua frente está um carro andando estilo Rubinho, logo você pensa: deve ser uma daquelas tiazinhas, procurando vaga pra ir bater perna, tô ferrado (nada contra as tiazinhas que empatam o trânsito e batem perna), mas elas poderiam ir às 4 da tarde, não é mesmo!?

Como num passe de mágica, numa manobra a la Lewis Hamilton, elas entram com tudo na primeira vaga que encontram, e o coração de quem está atrás quase sai pela boca. Viva o freio! Nesse caso a seta não é importante, o importante é a vaga e as promoções que ela está atrás. E quem está atrás? Tinha alguém atrás ?

Na contramão desse novo hábito, vão os motoristas que gostam da seta, gostam mesmo, gostam tanto que vão com ela ligada do começo da avenida até o fim, mais ou menos uns 117 km com a seta ligada, piscando sem parar, e você atrás vai tentando descobrir qual será a rua que ele vai virar, é bom ficar esperto.

A abolição da seta não foi aderida pela maioria. Sempre existe o motorista que se preocupa em avisar o rumo que o carro vai tomar, até quando a seta não está funcionando. Nesse caso é usado o bom e velho recurso - a Setabraço.

Ivan Raineri - Publicitário

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