Bairros

Mulheres avançam no mercado de trabalho

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Foi-se o tempo em que as mulheres eram consideradas o “sexo frágil” ou “a Amélia”. A realidade agora é outra. Elas não abrem mão do trabalho, aliando os papéis de mãe e dona de casa. De acordo com dados da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2006) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres conquistam cada vez mais espaço no País e em número já são maioria: de cada 200 pessoas do sexo feminino, há 198 do sexo masculino.

Em Bauru elas também são maioria, de acordo com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Dos poucos mais de 357.100 habitantes da cidade, 182.700 são dos sexo feminino e o restante, cerca de de 174.200, corresponde à população masculina.

O IBGE também aponta que o número de famílias que têm a mulher como principal referência (responsável ou líder) continua crescendo de forma substancial no País. Em 2006, de acordo com o levantamento, 29,2% dos núcleos familiares tinham a mulher nessa posição. Há 10 anos, essa porcentagem era de 21,6%.

Em números, o levantamento mostra que em 1996 eram 10,3 milhões de mulheres indicadas como a pessoas referência da família. No último levantamento, esse número passou para 18,5 milhões. Em suma, em uma década, o número de pessoas do sexo feminino que chefiam famílias quase dobrou, crescendo 73%.

E o espaço adquirido pela mulher nos últimos anos no mercado de trabalho é tão nítido que muitas empresas têm optado apenas pela contratação delas para todos os cargos. Max Gehinger, consultor de carreira, garante que o sucesso das mulheres no mercado de trabalho não está relacionado à beleza feminina, mas, sim, à competência das mulheres.

Empresas especializadas em recrutamento profissional relatam que nos últimos anos a preferência das empresas por mulheres para preencher os mais diferentes cargos também cresceu.

Sônia Teles, gerente de negócios de uma dessas empresas, revela que no último mês, mesmo em tempos de crise mundial, mais de 300 mulheres foram reconduzidas ao mercado de trabalho. “As vagas preenchidas vão desde auxiliar de produção até cargos de chefia”, afirma. De acordo com ela, tal preferência não vem de agora, mas, com certeza, aumentou de forma substancial nos últimos três anos.

Para o consultor Davison de Lucas, o mercado de trabalho está atrás de um requisito muito mais presente nas mulheres do que nos homens. “As empresas procuram flexibilidade nas ações e essa qualidade nasce do equilíbrio entre o racional e o emocional, presente com mais força nas mulheres”, afirma.

Se quando o assunto é a distribuição de vagas no mercado de trabalho as mulheres seguem os homens de perto, quando o tema é remuneração, as diferenças são visíveis. No início deste ano, o IBGE divulgou que o salário das mulheres trabalhadoras com nível de estudo superior completo correspondia a 60% dos rendimentos pagos aos homens na mesma função. Mesmo com grau de escolaridade mais elevado, as discrepâncias salariais entre os gêneros não diminui.

De acordo com o próprio instituto, em média, o rendimento das mulheres incluindo todos os níveis de colocação equivale a 71,3% dos rendimentos recebidos pelos homens. Em São Paulo, o rendimento médio habitual feminino caiu 2,2% nos últimos cinco anos, passando de pouco mais de R$ 1.100,00 para R$1.076,00.

“Aqui na nossa região, essa diferença salarial não existe. Sempre que há uma vaga em aberto destinada à contratação de ambos os sexos o salário oferecido se mantém”, garante Gislaine Milena Casula Magrini, analista de recursos humanos.

Magrini garante que essa igualdade é registrada em quase todos os níveis de função. “Em cargos de chefia pode ser que haja essa diferença, já que o acerto de o quanto a pessoa irá ganhar é feito entre as partes, mas onde a vaga chega com o salário definido essa diferença não existe”, reforça.

Sônia Teles, gerente de negócios de outra empresa que recruta profissionais para o mercado de trabalho, reforça a tese da colega. “Nos últimos três anos o mercado tem aberto muito mais vagas destinadas ao público feminino”, afirma.

O IBGE aponta, ainda, que a presença das mulheres no mercado de trabalho é mais forte nos serviços domésticos e na administração pública. Os dados foram divulgados no início deste ano. 22% das mulheres ocupadas no País estão na administração pública, educação, defesa, segurança, saúde e 16,5% nos serviços domésticos.

O levantamento aponta que 13,3% das mulheres empregadas estão nos serviços prestados à empresa, na indústria. O número chega a 13,1%, na construção civil, o comércio emprega 17,4% das mulheres ocupadas e 17% desenvolvem funções em outras atividades.

Em Bauru, a mulher no mercado de trabalho é encontrada em todas as áreas, mas como a característica do município é prestação de serviço, é nessa função que ela se destaca.

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