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Entrevista da semana: Aldeir Amarilia

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 6 min

No século IV antes de Cristo, Hipócrates, considerado o pai da medicina, já apontava a massagem como algo necessário. “O médico deve se familiarizar com várias coisas e certamente com esfregar (massagem)”, recomendou ele. A massoterapia é reconhecida como um dos mais antigos e eficientes métodos de tratamento da dor. Aldeir Amarilia, mais conhecido como Pancho, descobriu desde cedo que tinha um dom, o dom de tirar a dor das pessoas com as mãos, de proporcionar relaxamento e bem-estar. Ele faz isso desde os 12 anos.

Nesta entrevista concedida ao Jornal da Cidade, ele fala da infância em Assis, do início da carreira e de sua trajetória até se tornar uma referência quando o assunto é massagem. Há 30 anos trabalhando na Associação Luso-Brasileira, Pancho não faz idéia de quantas pessoas já passaram pelas suas mãos.

Em seu currículo, estão os quatro anos de serviços prestados para a Seleção Paulista de Basquete, que na época era treinada pelo técnico Antônio Carlos Barbosa, com quem Pancho trabalhou durante muitos anos na Luso. Ainda na ativa, o massoterapeuta e acupunturista continua atendendo religiosamente todos os dias.

Segundo ele, sua profissão pode ser comparada ao trabalho de um curandeiro, ou seja, as pessoas só procuram ajuda quando os métodos convencionais falharam. Mas quem conhece os benefícios de uma boa massagem não pensa duas vezes em recorrer a esses profissionais. Desde a cura da depressão até um “simples” relaxamento, Pancho diz que a massotorapia e a acupuntura são capazes de atender plenamente às expectativas.

Jornal da Cidade - O que a massagem tem a oferecer para as pessoas? Quais os benefícios que ela traz?

Aldeir Amarilia (Pancho) - A massagem melhora a circulação sangüínea, alivia o estresse, a dor. É algo que todos deveriam fazer pelo menos uma vez a cada 15 dias. Serve para relaxar a musculatura e trazer bem-estar. Depois de um dia ou uma semana de muito trabalho, você sai de uma massagem renovado.

JC - E por que a massagem dá essa sensação de bem-estar?

Pancho - Porque você estimula a circulação e por causa também da troca de energia. O toque serve como uma descarga. Por isso, é sempre importante o massoterapeuta estar bem, para não haver um choque de energias. Ao invés de relaxar, você se estressaria.

JC - Quanto tempo deve durar uma massagem?

Pancho - Uma média de 45 minutos. Mas tudo depende do hábito. Tem gente que prefere uma massagem mais pesada, mas o ideal é que ela seja suave. Tem de ser uma massagem que faz com que a pessoa se sinta bem. Ela não pode sair com o corpo todo dolorido.

JC - O que é uma massagem mais pesada?

Pancho - É forçar mais a mão, aprofundar a massagem. Isso depende da consistência da musculatura do cliente. Quem tem mais massa muscular, às vezes, prefere algo mais pesado, mas nada que vá judiar da pessoa.

JC - Antes das massagens, você conversa com os clientes para saber a necessidade da cada um?

Pancho - Normalmente, nós atuamos também como psicólogos. Precisamos saber que tipo de massagem tem de ser feita. No caso de depressão e estresse, por exemplo, tem de ser uma massagem de restauração do equilíbrio energético.

JC - Qual é o problema mais comum entre as pessoas que te procuram?

Pancho - O pessoal me procura mais para tratar de problemas da coluna, depressão e estresse.

JC - Então, você é capaz de curar depressão?

Pancho - O resultado da acupuntura para a depressão é excelente. Eu já tirei muita gente da depressão.

JC - Mas apesar dessa capacidade, com certeza, a maioria das pessoas só procura a massagem e a acupuntura depois que todos os outros métodos falharam...

Pancho - É sempre assim. Essa semana, atendi uma pessoa que disse que iria fazer uma reclamação para o plano de saúde dela porque o médico não resolvia o problema. Ela disse que iria procurar um massagista e o médico teria dito que não era para procurar porque não iria resolver. E ela saiu da clínica se sentindo bem. É assim que funciona normalmente. As pessoas te procuram quando não obtém resultados em outro lugar. A verdade é que o massagista virou uma espécie de curandeiro. As pessoas te procuram no desespero, quando não encontraram a solução em outro lugar.

JC - Pelo tempo de serviço, você deve ter uma clientela fixa e fiel.

Pancho - Tenho. Tem aqueles que têm conhecimento, que já passaram pelas mãos de algum massoterapeuta e quando eles precisam procuram direto. Como não somos médicos não podemos fazer parte dos planos de saúde. Nesse caso, prevalece a propaganda de boca-a-boca, um recomenda para o outro.

JC - Você trabalha com massagem há quanto tempo?

Pancho - Eu me formei em 1978, em Guarulhos. Na época, só existiam cursos técnicos. Eu sou massagista, que agora mudou para massoterapeuta, e acupunturista.

JC - E o que te levou a fazer massoterapia, naquela época?

Pancho - Meu pai era massagista da Associação Atlética Ferroviária, de Assis. Eu aprendi o ofício com ele. Com 12 anos, eu já fazia massagens. Fui me aperfeiçoando, fazendo outros cursos, como do-in, shiatsu, reflexologia, acupuntura, e toda parte de terapia oriental. Em 1979, eu vim para Bauru.

JC - O que te trouxe a Bauru?

Pancho - Meu pai tinha o consultório dele em Assis, mas ele viajava muito. Um dia, a dona Terezinha Bijus foi para Assis a trabalho e ela teve um problema lá. Então, ela procurou meu pai. Como ele não estava, fui eu que atendi. Ela precisava iniciar um tratamento, só que ela não tinha condições de ir toda semana para Assis. Foi aí que ela propôs que eu me mudasse para Bauru. Ela me cedeu um espaço na casa dela, onde eu montei meu consultório e comecei a atender. Logo em seguida, tive uma proposta do Luso e estou aqui até hoje.

JC - Faz quanto tempo?

Pancho - Faz 30 anos. Eu cheguei a tomar conta de todo o departamento de fisioterapia. Era minha responsabilidade cuidar do pessoal do basquete, vôlei, natação. Eu dava assistência em todas essas áreas. Depois, fiquei um tempo fora quando houve uma mudança na política do clube. Montei minha própria clínica, mas nunca me desliguei do Luso. Agora voltei em definitivo.

JC - Voltou em que condições? O que você faz agora?

Pancho - Continuo fazendo massagens. Fiz um acordo com o clube. Em troca de eu assumir a diretoria da sauna, eles me cederam um espaço para eu exercer minha profissão. Eu atendo sócios e não-sócios. Esse espaço é meu. Estou na clínica todos os dias. Só não atendo na quarta-feira à tarde e no domingo à tarde.

JC - E quando você não está na clínica, o que você gosta de fazer?

Pancho - Eu gosto de pescar e de cozinhar. Pelo menos uma vez por mês, eu vou pescar. Normalmente, faço isso no domingo à tarde. Agora, cozinhar é algo que eu faço todos os dias. Sou eu que faço o almoço e faço porque gosto. Faço todo tipo de comida. Foi uma outra herança deixada pelo meu pai. Ele era um grande cozinheiro.

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Perfil

Nome: Aldeir Amarilia

Idade: 50 anos

Local de nascimento: Presidente Prudente

Mulher: Edna Cavaleiro Amarilia

Filhos: Tatiana e Gustavo

Hobby: Pescar e cozinhar

Livro de cabeceira: Livros técnicos sobre a minha profissão

Filme preferido: “Tróia” (2004)

Estilo musical predileto: Sertanejo e samba

Time: Palmeiras

Para quem dá nota 10:“Minha mulher”

Para quem dá nota 0: “Para os políticos, em geral”

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