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A passagem do bastão


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Numa corrida de revezamento, durante preciosos segundos, os músculos dos corredores da mesma equipe movimentam-se sincronizados, lado a lado, no mesmo ritmo, como se fossem um só, segurando o mesmo bastão. Detalhes na transição levam à glória ou ao ostracismo.

A coisa também funciona assim na área empresarial e política, onde a sucessão que se preze não pode prescindir do lapso de tempo de convivência comum para se obter não apenas os dados e números, mas principalmente suas “decodificações”.

No momento de transição municipal, os grupos políticos devem atuar em nome de um objetivo comum: o bem-estar da população. Devem pautar na figura maior do dr. Ulysses, que dizia: “Na política, nunca seja tão amigo que não possa se tornar inimigo; nem tão inimigo que não possa se tornar amigo”. Na transição, no final de 2004, em minha área de domínio, na Prefeitura e Cohab, prontifiquei-me, mas ninguém quis “pegar o bastão”.

1. Na Prefeitura, foi ignorada a “Gestão Energética Municipal Ampliada- GEMA”, instrumento técnico de gestão, concebido sem cor político-partidária, com o objetivo de buscar a eficiência energética e que propiciou: economizar 10% nas contas-energia do DAE; zerar o déficit de 2100 pessoas sem luz; monitorar 312 contas-mês (PM/DAE/Emdurb/Cohab) e 117 praças; abortar pagamento de 180 contas-ano (painéis-relógios de terceiros); projetar a expansão e eficientização da Iluminação Pública-IP.

A partir de 2005, ao invés de a Administração acolher e aperfeiçoar o legado, subestimou-o. O então chefe de Gabinete empastelou parte do material e parte encaminhou à área de manutenção da iluminação de praças/edificações. O equívoco conceitual de atribuir competência de gestão a uma área operacional foi danoso a Bauru, nos aspectos segurança, qualidade de vida, arquitetura e meio ambiente. O programa de melhoria na IP foi simplista e apenas substituiu lâmpada tal por outra, para propiciar redução de consumo e valor da fatura. Ignorou o projeto participativo da PM/CPFL/Polícia/Conseg/Emdurb/Comunidade, que considerava as alterações e inserções ocorridas na ocupação do solo: escolas; comércio periferia; áreas de lazer; indústrias. O que se falar da recente obra-IP na Getúlio Vargas? Objetivava iluminar o meio da rua ou a calçada? Não posso deixar de mencionar que tem obra-IP paga há quatro anos e não concluída.

2. Na Cohab, assim que a diretoria assumiu, fui procurá-la e prontifiquei-me a decodificar os documentos que deixei para serem copiados, com anotações grafadas. Não fui mais recebido e nada recebi de volta. Sem “ritmo inicial”, a diretoria abortou as facilidades para estimular o mutuário preservar a sua casa: projeto tô legal; juros zero; premiar adimplente; débito-conta; termo ocupação provisória. A retomada de casa que era o último recurso passou a ser o primeiro. Não teve o privilégio de ouvir o sábio posicionamento do dr. Mandaliti, que foi assessor jurídico na minha gestão: “Não podemos apenas riscar a superfície de um assunto que merece análise profunda, com responsabilidade e legalidade, mas acima de tudo, com ética e moral”. Retomando o paralelo inicial, numa transição municipal o “lapso de tempo” pode e deve invadir o mandato do sucessor, desde que se preserve um detalhe indelegável: a participação do titular da área da equipe cessante. Tal qual na corrida de revezamento um deles só deve largar o bastão quando o outro já estiver no “mesmo ritmo”. Como o atleta, daí para frente o sucessor faz o seu ritmo.

O autor, Braz Melero, foi regional da CPFL e presidente da Cohab - brazmelero@uol.com.br

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