Será implantado no Brasil a partir de 2009 o novo acordo ortográfico da língua portuguesa. Mudanças ocorrerão, como o desaparecimento do trema em todas as palavras e o fim do acento agudo nos ditongos de palavras paroxítonas. A proposta do acordo é a unificação da língua com vários países que a proferem. Mas será que isso realmente irá ajudar a unir países luso-parlantes?
A intenção é essa. Porém, ao retirar o hífen de alguns casos ou fazer desaparecer o acento gráfico nas palavras homógrafas, a língua não se tornará única. As diferenças sintáticas, semânticas, de vocabulário não irão se padronizar, ou seja, nesse sentido a reforma ortográfica servirá para confundir ainda mais os brasileiros.
Muitos jovens chegam ao ensino médio na rede pública sem saber o básico: ler e escrever. A reforma afetará uma parcela minúscula da população, pois grande parte não conhecerá as mudanças. As pessoas que quiserem aprender terão que ler forçosamente a respeito, se inteirar e a adaptação levará muito tempo.
Diante dos fatos, é possível concluir que o Brasil não precisa de uma reforma ortográfica. Precisa de uma reforma na educação, uma melhora no ensino público, um aumento no salário dos professores e investimentos em infra-estrutura. Tirar o acento gráfico do penúltimo “o” do hiato não irá melhorar a educação nem a maneira de falar do povo. Unificar a língua com Portugal e Guiné-Bissau trará relações diplomáticas, todavia, insignificantes.
Isabela Zamboni Moschin, estudante