Se para o comércio dezembro é o melhor mês do ano em vendas, para o Banco de Leite Humano de Bauru o período de festas natalinas, que coincide com o início das férias escolares, é o mais difícil. A doação de leite para o órgão chega a cair 50% em relação aos meses considerados de melhor desempenho por conta das viagens e comemorações que tomam tempo das pessoas. Para tentar evitar que falte leite materno às crianças que precisam do alimento, já começou uma campanha para incentivar as mães lactantes a doar o excedente de seu filho.
“Todos os anos, nos meses de novembro, dezembro e janeiro, o estoque de leite materno diminui drasticamente, chegando a cair 50% em relação aos meses de bom volume, que são os meses pós férias e campanhas”, afirma Maria Nereida Panichi, coordenadora do Banco de Leite Humano da Secretaria Municipal da Saúde. A campanha consiste em divulgações nas unidades básicas de saúde, hospitais, maternidades, além de divulgações na imprensa.
Com a campanha municipal, que começou na semana passada, e a estadual, Panichi espera que o número de doadoras volte a subir. “Algumas mulheres não sabem do Banco de Leite Humano ou simplesmente esquecem-se de doar”, diz.
Bauru conta atualmente com 28 doadoras fixas, número que, segundo Panichi, precisa aumentar. Uma dessas doadoras é a fisioterapeuta Izaura Chaves Cavenaghi. Para ela, que amamenta seus dois filhos e ainda doa o alimento para o Banco de Leite, a oportunidade de ajudar é uma dádiva de Deus. “Muitas mulheres não têm leite para alimentar suas crianças, e eu que tenho muito, sinto um enorme prazer em contribuir com a saúde dos bebês que recebem meu leite”, orgulha-se.
Uma das crianças beneficiadas pelo leite da fisioterapeuta é filha da professora Adriane Cristina de Andrade, que se sente muito agradecida com a doação. “Meu filho ficou internado em um hospital por 11 dias e foi alimentado e medicado pelo leite das doadoras do Banco de Leite. Foi através dessa benção que ele recebeu anticorpos e ficou forte para voltar para casa”, comenta agradecida.
Crianças prematuras, bebês hospitalizados e filhos de mães que possuem pouco leite são atendidas pelo Banco de Leite. Com isso, não deixam de receber o leite humano, que contém todos os nutrientes que um bebê precisa para crescer forte e os anticorpos, que o protege contra muitas doenças.
Maria Nereida Panichi orienta as mães que desejam tornarem-se doadoras a procurarem o Banco de Leite para orientações e mais informações. “Quanto mais doadoras, melhor. Normalmente recebemos entre 100 e 140 litros de leite humano ao mês, quando o ideal seria 160 litros, no mínimo”, acrescenta Panichi.
O leite humano, além de auxiliar no desenvolvimento infantil, beneficia também a mãe doadora, que perde peso mais rapidamente, reduz o risco de câncer de mama e de ovários e de osteoporose. Geralmente, os bancos de leite possuem estoque disponível apenas para atender a demanda de consumo de um mês. Mas o ideal é que haja leite materno o suficiente para até quatro meses de utilização.
Os bancos paulistas coletam cerca de 1,5 mil litros de leite humano ao mês, mas a quantidade é insuficiente para atender a demanda, que pede o dobro dessa quantidade. Em todo o Estado de São Paulo, funcionam aproximadamente 50 bancos de leite humano.
Ao chegar nestes centros especializados, o leite humano doado passa por um processo de pasteurização. É submetido a controles de qualidade e distribuído aos bebês prematuros e outras crianças que são clinicamente impossibilitados de receber leite do seio da mãe.
• Serviço
O Banco de Leite está localizado à rua Prof. Gerson Rodrigues, 3-6, Vila Universitária. O telefone para contato é (14) 3226-3227.