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Saborear a vida


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Nos próximos dias, farão dois meses de falecimento de duas pessoas especiais para mim. Uma é o dr. Osvaldo Azenha, ocorrida numa noite de luar fantástica do domingo de 12 de outubro, e a outra a da jovem Fabiana P., ex-paciente, ocorrida na segunda-feira imediata. Foram dois momentos fortes em minha vida. Ouvi de ambas as famílias o que sempre presenciei: a vontade deles de viverem, sem maldizer a vida, ou a doença, pelo menos para mim, um segundo sequer. Como essas pessoas, doentes terminais, podem reter para si, tamanha angústia, sem dividi-las com outras pessoas? Como conseguem proferir palavras animadoras aos seus amigos e familiares, sem demonstrarem o sofrimento por que passam, ou transferindo seus problemas para os seus ouvintes? Penso que, por saberem que sua passagem por este mundo está finalizando, saboreiam cada momento vivido, conscientemente, desfrutando de cada visão, gesto, oportunidade de servir ao próximo, de serem luz de vida iluminando nossas mentes entorpecidas, que acreditamos que a nossa hora final está muito longe ainda. Foi com estas duas passagens, que “parece”que entendi as palavras proferidas constantemente pelo Padre Beto em suas homilias, quando nos aconselha a saborear a vida. Aproximam-se as festas de final de ano. Não devemos apenas saborear os pratos especiais que serão servidos, mas aproveitar a alegria das crianças, a convivência com os mais velhos da família, pensando também como muitas centenas de milhares de pessoas, neste mundo gostariam de saborear aquela ceia, aqueles presentes, aquele conforto do lar, aquele emprego que permite certos abusos alimentares, de diversão, de saúde plena, de compartilhar momentos fortes de amor familiar, num mundo cada vez mais egoísta. De quantas formas podemos interpretar a frase “saborear a vida”? Nestas festas não poderemos abraçar mais familiares e amigos que partiram para a eternidade, mas não esqueçamos de elevar nossas preces, para que o Deus de cada um de nós permita que passemos todos os momentos restantes saboreando-os plenamente.

O autor, Arnaldo Pinzan, é professor da FOB e diretor social do Lions Clube de Bauru Centro

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