Atenas - Centenas de pessoas foram ontem ao enterro de Alexis Grigoropoulos, 15 anos, morto a tiros no sábado por um policial, em Atenas. O assassinato do rapaz provocou uma onda de violência urbana que atingiu várias cidades da Grécia, e mesmo perto do cemitério onde ele era enterrado houve novos protestos.
Desde o início dos protestos, 176 pessoas foram presas.
Os protestos próximos do cemitério foram realizados por centenas de jovens. De acordo com a TV Mega, os manifestantes atiraram pedras e até pedaços de pavimento contra veículos e vitrines de lojas, e a polícia respondeu com bombas de gás lacrimogêneo.
No enterro, jovens organizaram coros de “policiais porcos e assassinos” e “Alexis está vivo”. Grigoropoulos foi enterrado em um caixão branco, no cemitério de Palio Faliro. Mesmo com apelos da família por privacidade, TVs gregas transmitiram o funeral ao vivo.
Ontem, mais cedo, houve protestos também em Atenas e em Salônica, a segunda maior cidade do país, dos quais participaram, principalmente, jovens estudantes, professores e militantes de esquerda. Em Atenas, os cerca de 2.000 manifestantes seguiram em passeata ao Parlamento. Lá, eles jogaram pedras e garrafas contra policiais. Em Atenas, os manifestantes incendiaram mais de dez prédios do centro e danificaram mais de 200 lojas, além de cerca de 40 veículos. Na cidade de Salônica, as imagens de destruição são parecidas, com 18 lojas e cinco agências bancárias incendiadas.
O líder da oposição, socialista George Papandreou, pediu hoje que ele renuncie e convoque novas eleições para encerrar a crise. “Nós queremos poder. A única coisa que o governo pode oferecer é renunciar e deixar as pessoas darem o veredicto”, disse Papandreou.
Diante da pressão, o primeiro-ministro pediu ontem para que os líderes políticos se unam diante dos piores protestos civis em décadas e pediu punição aos manifestantes.