A resposta para todas as mazelas atuais está sempre na educação. Que drama vive o professor brasileiro, ao fechar seu ano letivo, envolvido nas aprovações, recuperações e reprovações. O aluno aprovado é conhecedor do conteúdo programático, colou nas provas, caiu na simpatia do professor pelo seu jeitão? Quem sabe mais, o aluno que tirou dez colando, ou o que tirou a nota 8,obtida pelo esforço dispensado? O aluno que está em recuperação tem motivo justificado para ser dada nova chance? Na revista Veja da semana passada, o articulista Cláudio Moura Castro informa que em pesquisa recente, é mais salutar passar um aluno, do que reprová-lo, principalmente pelo fator motivação. Seria isto somente, o suficiente? E a reprovação, tão condenada atualmente, é um instrumento válido? O aluno que segue empurrado desde o início, no final adentra a uma faculdade particular e, até pública, embora mais difícil. Os professores universitários, final dessa linha de produção, têm sentido o grau de preparo prévio dos alunos atuais.
Neste final de semestre, soube de algumas histórias, no mínimo confusas. Um professor renomado, de uma faculdade particular, foi chamado pela direção, pois os pais estavam reclamando que ele estava “exigindo muito” dos alunos. Entendo que esses pais querem pagar por um serviço, mas não estão preocupados com a eficiência desse serviço. Alunos de faculdade pública, não colaram grau, por estourarem em faltas. Os pais estão perplexos com a faculdade, mas entendo que deveriam perguntar aos seus filhos, onde estavam naquele momento, e fazendo o quê (dormindo?) em que deveriam estar presentes nas salas de aula, enquanto seus pais e todos nós contribuintes de impostos que ajudam a pagar esses ensinamentos, estávamos trabalhando?
Quanto custa para a sociedade, um aluno reprovado? Um vestibular reconhecidamente rigoroso e disputado, onde entram os mais bem preparados, na Universidade Estadual de Londrina, depois de 6 anos de graduação, é para ter “futuros médicos” comportando-se daquela maneira desrespeitosa que foi mostrada pelos telejornais? Onde foi jogado um nome tão respeitado, como é o da UEL? Infelizmente, uma notícia dessas, vincula fatos heterogêneos. Uma avaliação lúcida feita durante o programa jornalístico da 94 FM, questionava que o número de médicos reprovados no exame que avalia o grau de preparo para a vida clínica, provavelmente é muito superior que os 60% daqueles reprovados, pois somente os mais bem preparados é que são incentivados pelas próprias faculdades a representá-las nesses exames.
E os restantes, estarão exercendo a medicina sem conhecimento? Esses alunos, que lidarão com o bem mais precioso chamado vida, não deveriam ser “brecados antes”, sem essa neura da reprovação? Não basta apenas boas notas, é preciso avaliar condutas. Quantos luminares da vida atual, não tiveram uma recuperação ou uma reprovação na vida estudantil? Seriam todos gênios? Em todas as matérias? Lembrem-se da vida estudantil de Bill Gates, Einstein e outros. Sempre pergunto aos alunos vindos das mais diferentes faculdades: Mesmo cursando escolas renomadas, você daria sua boca para ser tratada por qualquer um dos alunos de sua turma? A resposta é sempre um sorriso amarelo e significativo. Termina o ano de 2008, mas o professor sabe que os problemas continuarão sem soluções, por toda a sua vida profissional, principalmente, onde num país onde se culpa tudo, pela falta de educação, mas que inversamente, não a valoriza e muitas vezes falta até mesmo em muitos dos lares brasileiros.
Arnaldo Pinzan- Professor FOB-USP e Diretor Social do Lions Clube de Bauru Centro