Conacri - Horas depois da morte natural do presidente Lansana Conté, 74 anos, um grupo militar ocupou os meios de comunicação e anunciou ontem um golpe de Estado na Guiné, país do oeste da África rico em minérios, mas em crise econômica.
No entanto, o primeiro-ministro guineano, Ahmed Tidiane Souaré, afirmou que permanece no cargo e que “o governo não foi dissolvido”. Ele atribuiu o golpe a um grupo “minoritário’’ - argumento repetido pelo chefe das Forças Armadas, o general Diarra Camara - e disse que a situação logo se normalizaria.
A versão do premiê é posta em dúvida, já que agências internacionais assistiram a dezenas de soldados armados dirigindo-se ao escritório de Souaré e a dois tanques de guerra estacionados em frente à emissora estatal de TV. Fontes da agência dizem que o grupo é apoiado por vários setores do Exército.
Os golpistas, que se autointitulam Conselho Nacional pela Democracia, proibiram qualquer atividade política e sindical e anunciaram um período de “mudanças, prévio à devolução do poder aos civis depois da convocatória de novas eleições”. Mas não informaram quanto tempo isso levaria. O grupo justifica o golpe pela “catastrófica situação econômica” que vive a Guiné - um dos países mais pobres, apesar de suas grandes reservas de bauxita e do potencial agrícola.
A ação golpista foi criticada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e pela Comissão da União Africana (UA) - ambos pediram pela transferência pacífica de poder no país.
O golpe de Estado de ontem é uma repetição da história guineana, já que o falecido ditador Conté chegou ao poder da mesma forma.