Pouco ou nada podemos comemorar a não ser a lembrança da tragédia que foi a morte do grande seringueiro Chico Mendes, na data de 22.12.1988. Ele lutou durante sua vida inteira pela preservação da Floresta Amazônica e citava como a única saída para a o convívio entre o homem e a floresta seria pelo extrativismo, e conseguiu a demarcação para o plantio dos seringais naquela região, para si e para seus seguidores da grande causa, em Xapuri, no Acre. Passados 20 anos de sua morte, seu espírito se contorce em dores, pelas tristes notícias vindas da reserva que leva seu nome, de que a maioria dos lotes foram transformados em pastagens, lavouras de soja, cujos arrendatários são funcionários públicos, comerciantes e fazendeiros da região.
Na opinião do seu primo Raimundo Mendes, o extrativismo está falido e o sindicato não sabe mais o que defende e adota com essas mudanças o discurso dos latifundiários. Pobre Floresta, pobre reserva que hoje virou uma suposta bolsa de commodities, mas para a humanidade logo irá virar um passivo ambiental, onde não mais serão reconhecidos pela ONU, Unesco, como Patrimônio da Humanidade a reserva que leva o nome do grande herói da floresta, que como Gandhy, Peter Blake, Luther King e Lennon foi assassinado pelas mãos do próprio homem, pela ganância de terras e madeira.
Esse é o Brasil que não mais cuida de suas florestas e reservas e sua biodiversidade. Só nos unimos pela dor. Com tristeza.
José Pedro Naisser - ecologista