Vinte e um idosos passaram uma manhã especial ontem no Instituto Lauro Souza Lima. Eles ganharam um almoço na véspera de Natal e participaram de uma ceia debaixo de uma árvore na instituição.
A ceia ocorreu pelo terceiro ano seguido e busca dar um sentido à vida dos idosos que não contam com o carinho da família durante a maior parte do ano.
A refeição especial, com arroz, feijão, carne de frango e assados, foi servida entre as 10h e 12h30 de ontem a 21 pacientes com idades entre 44 e 92 anos. A revelação de um amigo secreto entre os funcionários do instituto e a vinda do Papai Noel completaram o dia dos idosos, que possuem dificuldades de locomoção e não contam com o carinho da família há anos.
É o caso de Luiz Martinelli, 85 anos. Ex-morador da Vila Santa Terezinha em Bauru, Luiz está na instituição há quatro anos. Apesar da limitação de estar em uma cadeira de rodas, ele parecia muito feliz com a ceia que foi servida aos pacientes presentes. “É gostoso. Eles colocam um som bacana e tem uma sanfona que anima muito esse lugar. Está tudo em ordem” contou, gesticulando.
Outra paciente que almoçava com alegria era dona Enedina Elias, 64 anos. Nascida em Limeira, ela está sob cuidados do instituto há 23 anos. “Esse almoço de Natal é muito gostoso. Sinto muito bem e sou muito bem acolhida aqui por todos os funcionários. É um momento muito contente nesta época”, disse.
A maior parte dos idosos necessita de cuidados básicos diários, como banho, alimentação e locomoção, precisando de utensílios adaptados. A idéia de servir uma ceia para os pacientes na véspera do Natal surgiu entre os funcionários, que pretendiam levar os atendidos para um ambiente externo, fora da enfermaria. Uma das entidades de apoio à iniciativa é a União Bauruense de Amigos (Unibal).
Para Cláudia Alessandra Ramos, enfermeira encarregada da clínica cirúrgica da seção de geriatria do Instituto Lauro Souza Lima, a confraternização preenche a ausência dos familiares. “Eles vieram de um período em que os pacientes com hanseníase eram excluídos da sociedade. A maior parte não tem a família nem recebe visitas. É indescritível a sensação desse trabalho. A gente vê a carinha deles, o sorriso, o brilho nos olhos”, destaca.
Sueli Aparecida Marques, enfermeira chefe da geriatria, diz que o objetivo do encontro é estimulá-los. “São pacientes que perderam o convívio com a família e não têm muito convívio social, já pelo próprio estigma da doença. A gente procura estimulá-los nas datas festivas para que eles se animem e tenham um pouco mais de expectativa de vida”, explica.