Cingapura - O governo do Japão aprovou ontem o maior orçamento público da sua história, na esperança de estimular recuperação econômica e evitar que a crise se agrave ainda mais.
Governos de todo o mundo estão promovendo aumentos de gastos públicos para tentar conter a crise econômica global, desencadeada pelas restrições ao crédito e pelo colapso do mercado imobiliário dos Estados Unidos, onde novos dados sinalizam um agravamento da recessão.
“O Japão não pode evitar o tsunami e a recessão mundial, mas pode tentar buscar uma saída”, disse o primeiro-ministro Taro Aso numa entrevista coletiva em que ele ilustrou o pacote de estímulo econômico com um diagrama de um foguete de três estágios.
O gabinete aprovou um orçamento de 88,5 trilhões de ienes (US$ 980,6 bilhões) para o ano fiscal que começa em abril de 2009.
O plano amplia em 9% os gastos totais, excluindo o serviço da dívida, em comparação com o orçamento inicial deste ano. O novo orçamento pretende acomodar parte dos 12 trilhões de ienes contidos em pacotes anteriores de estímulo econômico.
Mas o novo orçamento pode ser barrado no Parlamento, onde o Partido Liberal Democrático tem um controle cada vez menor - em parte devido à perda de popularidade do primeiro-ministro Aso.
Gastos limitados
A Alemanha também está aumentando gastos. Mas o país, que tem a maior economia da Europa, pretende limitar um segundo pacote de estímulo a 25 bilhões de euros (cerca de US$ 35 bilhões), segundo uma fonte política regional.
Dessa forma, o novo programa ficaria aquém dos 40 bilhões de euros inicialmente previstos para novos projetos.
A chanceler Angela Merkel está sob pressão para adotar mais medidas de estímulo contra a recessão. Políticos e economistas consideraram insuficientes as medidas tomadas até agora, no valor de 31 bilhões de euros.
Mais a leste, outros países também cortam juros e aumentam gastos. O Banco Central polonês disse que deve diminuir ainda mais os juros em 2009, porque o crescimento econômico pode cair a menos da metade.
Na Rússia, uma fonte do Banco Central confirmou que o rublo sofreu a sétima desvalorização em um mês, e um vice-ministro do Interior declarou que o país tende a viver distúrbios por causa da crise.
“A situação pode ser exacerbada por um crescimento nos protestos, derivados da frustração dos trabalhadores com o não-pagamento de salários e ameaças de demissão”, disse Mikhail Sukhodolsky à agência RIA-Novosti.
____________________
Indicadores ruins nos EUA
Cingapura - Nos Estados Unidos, origem da crise, dados semanais mostraram que o número de novos pedidos de auxílio-desemprego saltou em 30 mil, alcançando o maior nível em 26 anos na semana passada.
Enquanto isso, o gasto pessoal do norte-americano caiu 0,6% em novembro, quase em linha com o esperado, depois de uma queda de 1% em outubro. A renda recuou 0,2% no mês passado depois de subir 0,1% em outubro. Já as encomendas de bens duráveis no país caíram 1% em novembro. A queda foi menos severa que o antecipado, mas segue-se a um acentuado mergulho nos pedidos de outubro.
Esta é provavelmente a maior crise nos EUA nos últimos 60 anos, e cada vez mais empresas devem cortar vagas por causa da redução da demanda e das restrições ao crédito.
Em todo o país, quase 2 milhões de pessoas perderam seus empregos neste ano, levando a taxa de desocupação a 6,7%.
Na terça-feira, dados dos EUA apontaram para uma queda recorde no valor dos imóveis e no número de transações imobiliárias, o que derrubou anda mais os indicadores de Wall Street. As Bolsas da Europa também foram afetadas, em parte porque a redução do preço do petróleo prejudica os resultados das empresas de energia.
Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, disse que os mercados não estão sabendo valorizar as medidas adotadas contra uma situação que, segundo ele, não tem precedentes pelo menos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Ele alertou os governos da União Européia a não contraírem dívidas para financiar os pacotes, já que isso não despertaria mais confiança na economia nem nos mercados.