Tribuna do Leitor

Terceiro trilho


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Novamente a reivindicação do terceiro trilho ligando o pátio ferroviário do centro de Bauru ao porto intermodal de Pederneiras, volta a ser objeto de reivindicação, conforme matéria publicada na edição de 22/12 do Jornal da Cidade.

Esta obra de foi entregue em 1998, quando a ferrovia era a Fepasa, e o Estado de São Paulo era o proprietário. Lembro-me que da solenidade de entrega do terceiro trilho participaram o então governador Mário Covas e o prefeito Tuga Angerami, na época deputado federal pelo PSDB. Importante ressaltar que a obra foi realizada com dinheiro público liberado pelo governo Federal.

Neste mesmo ano a Fepasa foi incluída na negociata que viabilizou a privatização do Banespa, passando a ferrovia para o controle da União, que logo em seguida a privatizou dando origem à Ferroban.

A diretoria da Ferroban descartou o uso da ligação, não efetuou a manutenção, não devolveu o trecho para a União como determina o contrato, e foi mais longe: ela mesma patrocinou a retirada do terceiro trilho para utilizar o material em outros trechos da malha que continuavam em operação.

Este fato denunciado pelos sindicatos que têm base em Bauru (Noroeste e Paulista), mas nenhuma ação concreta foi adotada por quem tem a obrigação de fiscalizar. O que houve foi omissão de muitos atores sociais.

A América Latina Logística é a controladora da Ferroban e sucedeu todas as obrigações da mesma, inclusive a de manter em operação a ligação com o porto intermodal de pederneiras, mesmo que alegue “inviabilidade econômica para implantar o terceiro trilho”.

A ALL não tem que implantar nada. Ela tem que devolver o que a Ferroban recebeu em perfeitas condições de uso, pois a obra foi entregue concluída. É bom que se diga que o único que trem que circulou na ligação, foi o trem da inauguração.

O argumento utilizado por todas as operadoras privadas para desativar ou não operar trechos ferroviários de que muitos deles não têm viabilidade econômica, atende os interesses de seu negócio, mas não atende os interesses da nação e dos usuários, como se pode ver por este episódio.

A pressão deve continuar, mas tem que ser focada nos proprietários do negócio. Hoje quem controla a ALL são: BNDES (via Bandespar) e os fundos de pensão Previ, Funcef, Sabesprev, Petros, Postalis e Forluz. O foco das pressões devem ser estas instituições e o governo federal que são os donos da ferrovia.

Roque Ferreira - diretor do Sindicato dos Ferroviários de Bauru/MS e MT e vereador eleito pelo PT

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