São Paulo - O PT só deve concluir o processo de escolha do candidato do partido que vai disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em fevereiro de 2010. Ao longo de 2009, as articulações das diversas correntes devem ganhar fôlego, mas ganhar contorno mais oficiais apenas em novembro, para quando estão marcadas as eleições para cargos da Executiva da legenda.
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), afirmou ontem que o nome da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) conta com o apreço e simpatia do partido. A indicação do presidente do PT de que Dilma é a opção do partido mostra que a ministra - que mudou de visual recentemente e fez até plástica - tem quebrado resistências internas.
Alguns caciques petistas questionam o fato de Dilma ter transitado pelo PDT antes de integrar os quadros da legenda. “A Dilma foi convidada para vários eventos partidários, porque nós temos um apreço muito grande por ela e achamos sim que ela pode ser a candidata do PT. Portanto, existe hoje um sentimento de muita simpatia pela Dilma e evidentemente aguardamos também a possibilidade de outras pessoas se apresentarem”, disse Berzoini.
Ele reconheceu que a indicação do presidente Lula terá um peso especial, mas disse acreditar que todo o processo será conduzido com seriedade. “Sinto um clima de muita tranqüilidade, de que nós devemos ter um ambiente bom na relação com o presidente e que a palavra do presidente terá um peso muito grande. A democracia do PT está sempre assegurada. Mas a palavra do presidente para nós é algo imprescindível para conduzir bem o processo da sucessão”, afirmou.
Em conversas reservadas com líderes do partido, o presidente Lula tem dito que a viabilidade de uma candidatura petista para sua sucessão passaria por uma mudança no comando do partido, hoje excessivamente voltado para questões internas e com pouco trânsito entre as demais legendas e o eleitorado.
Seguindo essa linha de pensamento, Lula tem defendido a inserção de ex-ocupantes de postos-chave no Executivo - governadores, ministros e prefeitos - na burocracia da sigla. Para o comando do PT, que terá que conduzir a campanha do candidato à Presidência da República ungido com o apoio de Lula, o ideal, segundo o presidente, seria um nome que tenha bom relacionamento com legendas aliadas ao governo, capaz de fazer um PT mais flexível na construção de alianças.