Regional

Cenário típico com os canaviais está sendo transformado pela uva

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Pederneiras - Uma plantação de uvas de mesa em meio aos canaviais típicos da região de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) está mudando o cenário antes tomado pelo verde. As frutas maduras, além de colorir mudando o ‘layout’ da propriedade rural, atraem pelo odor exalado e pela beleza das “esferas” que se juntam em cachos. São quatro mil pés do tipo niagara rosada, que produzem em média dois quilos de frutas por parreira.

Cachos cheios são sinônimo de fruta boa. Já o tom arroxeado é sinal de que está no ponto de colheita, normalmente no mês de dezembro. A colheita exige delicadeza, toques sutis para não machucar as uvas, cobertas apenas por uma fina “pele”.

São quatro mil pés de uva plantados em uma chácara de um alqueire no município vizinho. Como cada uma das parreiras rende pelo menos dois quilos da fruta, a chácara Duas Minas deverá colher oito mil quilos de uva nesta safra. Deste total, pelo menos três mil quilos já foram retirados das parreiras, passados para caixas de papelão e vendidos para moradores da cidade e da região.

Fruta típica da época e com presença garantida nas ceias de Natal e Ano Novo, a uva é comercializada na própria propriedade rural, onde é colhida, embalada e entregue aos fregueses que já conhecem a produção de “seo” Camargo, como é conhecido o agricultor João Batista Camargo. “Eu plantei uva (tipo cavalo) em 2000. As plantas foram enxertadas em 2001 e a primeira colheita aconteceu em 2003”, comenta, satisfeito, o agricultor que aprendeu a fazer de cada freguês um amigo.

O cultivo da uva em uma pequena propriedade foi idéia do aposentado, que a vida inteira mexeu com cana, trabalhava em uma usina e optou pela fruta para unir o lazer a uma atividade pós-aposentadoria. “Eu pesquisei vários tipos de frutas. Queria saber qual delas era a mais adequada para esse tipo de solo. A uva não tinha na região e foi a escolhida.”

Para aprender a lidar com a fruta, que não gosta de muita chuva sobre suas folhas, mas se delicia com farta irrigação, Camargo visitou, durante pelo menos um ano, as parreiras da região de Indaiatuba e Jundiaí. “Aquela região é tomada por frutas. Procurei aprender com quem já cultivava uva.”

Nas pesquisas, o aposentado aprendeu muitas lições e descobriu que a terra da chácara Duas Minas é boa para plantar uva. “Existem regiões onde a uva prospera, mas o fruto não é doce. Aqui ela vai bem e o fruto é doce.”

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