O sol escandante, a comunidade nipônica frustrada pela obra inacabada exatamente no ano do Centenário da imigração no Brasil e a ausência do prefeito Tuga Angerami, que informou problema de saúde, formaram o cenário daquilo que seria a bastante e antecipadamente divulgada visita do chefe do Executivo à praça Kasato Maru, no Jardim Eugênia, ontem, às 10 horas.
A chamada visita técnica serviu para constatar, in loco, que a administração municipal deixou tristes os nipônicos que esperavam, mas não puderam ver, a praça urbanizada, com as passarelas de concreto finalizadas, os círculos vermelho e azul pintados para simbolizar as cores do Japão e da bandeira brasileira, e a iluminação, que também não chegou. Sem esses ingredientes, a pequena sombra de uma árvore de jacarandá do cerrado, preservada no meio da área, foi bastante disputada por secretários do governo atual, membros da comunidade da Vila Santista, futuros secretários, jornalistas e o prefeito diplomado Rodrigo Agostinho (PMDB).
Mesmo visivelmente chateados, os membros da comissão do Centenário em comemoração aos 100 anos da imigração japonesa no Brasil, da qual fizeram parte cinco secretários municipais, se esforçaram em fazer do evento uma solenidade.
Além do trabalho no preparo das festividades em torno da vinda do primeiro navio de imigrantes japoneses para o Brasil há 100 anos, o Kasato Maru – que empresta providencialmente o nome à praça -, a comunidade nipônica não só compareceu como fez questão de realizar a apresentação de taikô por membros do Clube Nipo Brasileiro. Mas a bateria de tambores parecia tocar sons de lamentação, ao invés de proclamar das baquetas de madeira a alegria pela entrega do equipamento público. Não que os jovens que se apresentaram assim quisessem.
Em protesto, o vereador Futaro Sato (PMDB) não compareceu, mesmo com a insistência, por telefone, realizada pelo empenho pessoal do secretário Municipal de Desenvolvimento, Walace Sampaio. No ato, ele ficou com a missão inglória de representar o Executivo. Sampaio confirmou a despedida, lembrando que participava do último ato público como secretário tendo o sentimento de “missão cumprida”.
Sato não foi e não escondeu seu descontentamento com o prefeito: “Um homem com 25 anos de política não conseguiu priorizar uma obra de uma praça para inaugurar no ano do Centenário. Isso é lamentável. Estou muito triste. Faltou concreto, faltou iluminação, faltou planejamento e faltou vontade de fazer. Não fui em protesto”, contou Sato. A solenidade também seria a última de sua trajetória política, assim como a de Angerami.
Apesar da situação de desconforto, a visita contou com a presença do prefeito eleito Rodrigo Agostinho (PMDB). Mesmo comedido, ele criticou o fato da Secretaria de Obras não ter priorizado as obras da praça no ano do Centenário. Em rápido discurso ao microfone, Agostinho salientou o esforço do secretário municipal de Meio Ambiente (Semma), Valcirlei da Silva. Arquiteto, ele realizou o projeto da praça e promoveu o plantio de grama e de árvores.
Rodrigo ainda participou do plantio de três mudas do arbusto mulungu, que, segundo o próprio ambientalista, tem florada vermelha. “O nome científico dessa planta é erithrina”, contou. Ao lado, moradoras lamentavam que moradores já haviam levado cinco mudas de cerejeiras plantadas ao redor da praça.