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Formatura não é balada!


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Faço deste artigo um manifesto em defesa de nossa juventude. Sou mãe de uma das formandas do curso de direito do ano de 2008 da nossa renomada ITE, que muito engrandece a nossa cidade. Sabemos das lutas incessantes para manter a qualidade do ensino assim como a qualificação dos mestres. Pode parecer uma coisa sem comprometimento, mas, em se tratando de formatura de direito, nós, pais, somos colaboradores da faculdade, tendo a obrigação em manter a boa reputação da mesma. Sendo assim, devemos, sim, nos preocupar com quem nossos filhos contratam para a realização do tão sonhado baile de formatura.

Sabendo, pois, que o baile de formatura é um evento bastante dispendioso, assim também temos plena convicção do trabalho dispensado pelos alunos da comissão, é preciso orientar os filhos quando escolherem a empresa prestadora do serviço para a realização deste tão sonhado evento. Em primeiro lugar, distribuíram os convites na véspera do culto/missa, sem tempo suficiente para serem entregues aos parentes e amigos, pois as festas foram seguidas umas das outras a não ser a colação de grau que, pasmem, dar-se-a somente meados de janeiro 2009.

O piso onde foi servido o jantar era disforme, as pessoas tropeçavam e eu, particularmente, vi uma moça cair no chão. Para a tão esperada valsa com os pais, adaptaram uma pista do tamanho de uma sala de jantar para 18 pessoas, onde os pais e os formandos eram apresentados através de um microfone e passavam por trás do bar em uma fila enorme e cansativa para quem estava esperando. Eram alunos de quatro salas de aulas.

Terminada a valsa com os pais, seria a vez do padrinho/madrinha, depois do namorado/a, talvez do tio, tia, enfim... Este tempo da troca não chegava a 2 minutos. Os parceiros tinham que atravessar uma corda correndo e no meio a multidão achar o formando. Havia um telão péssimo, não se lia o nome dos formandos(as).

Para nós, formandos da década de 70/80, isso foi uma vergonha. O baile de engenharia do meu marido, em São Paulo, foi glamouroso, um palco e um salão onde os pais se enchiam de orgulho e dançavam valsas inteiras com os filhos(as). Queridos leitores, alertem seus filhos da lembrança que será para eles o baile de formatura e quão afortunados são por poderem realizar um sonho tão importante de suas vidas e que não é formatura de 1.º, 2.º ou 3.º grau, com a mídia para arrancar dinheiro. Embutem gastos desnecessários na cabeça de nossas crianças, que acabam se confundindo com o verdadeiro valor da formatura, se confundem com estas festas raves, cheias de bebidas alcoólicas, sim, porque a cada duas ou três mesas havia um open bar disponível para qualquer tipo de bebidas, servida à vontade, tinha até uma mulher fantasiada de cow girl, onde os formandos e amigos, eram servidos no gargalo. Nenhuma reclamação para tanto álcool, tanto incentivo para bebedeira, tanta mudança de valores proposta pela contratada, que deveria, sim, estar bem mais envolvida com a emoção de toda esta confraternização de um baile de formatura envolvendo pais, tios, avós, sobrinhos, uma festa familiar.

Se o objetivo deles é só ganhar dinheiro, parabéns. Agora, se realmente seus objetivos, além de grana, é oferecer qualidade, vão se reciclar para apresentar uma estrutura decente. O assoalho de fundo falso estava muito mal feito. O palco parecia um picadeiro de circo, havia excesso de bebida alcoólica, desvalorização de toda uma tradição de emoções, alegrias, sonhos, que nós, seres humanos, não podemos deixar de ter. Jovens: não se tornem máquinas de caça-níqueis. Cadê o salão do Tênis Clube, do Automóvel Clube ou outros salões, não importa, mas que tenham estrutura que respeite os convidados. Filhos! Peçam aos pais um conselho para eventos importantes das suas vidas, porque são únicos. Fica aqui meu protesto e lástima pela palhaçada que a empresa contratada ofereceu . Festa de formatura não é balada.

A autora, Lúcia Helena Bueno Gaio Martins, é empresária

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