No dia seguinte ao das eleições de primeiro turno, cantavam em prosas e versos que os novos vereadores (Natalino, Sakai, Carlinhos e outros) estariam sob o jugo feudal dos caciques de seus partidos. Pelo menos, com o resultado da formação da atual mesa da Câmara, tal premissa começou mal, embora tenha havido os ingentes esforços, em específico do Partido Verde, o vereador Natalino, ao invés de “fiel da balança”, mais parecia a corda com que se brinca de “cabo de guerra”, que trago como lembrança de minha saudosa infância. Os edis pró Chiara o puxavam coesamente visando deixar a “situação” vencida em relação aos destinos da administração do Legislativo bauruense, tudo porque não havia uma definição de candidato único entre o Batata e o Purini, para os vereadores da situação até entrar em cena o feudalismo verde. Via-se dirigentes do Partido Verde impondo-se em relação à “corda do cabo de guerra”, aliás, ao Vereador Natalino um fechamento esquisito de questão a castrar sua independência legislativa, deixando de observar que a fidelidade partidária se dá também em função da legalidade. Vereadores Natalino, Sakai, Carlinhos, etc., lhes afirmo que coronelismo, feudalismo, clientelismo, corporativismo e quaisquer outros “ismos”, que os seus milhares de eleitores repudiaram nas urnas, foram máculas do século XX, o partido político não é propriedade exclusiva de políticos saudosistas e derrotados nas urnas. A legislação parlamentar não dá esse poder imaginário a “donos de partidos”, legislem as melhores normas e fiscalizem Bauru, por Bauru e para Bauru. A convicção política e a independência parlamentar não estão atadas às vontades de alguns políticos, ainda, arraigados em um período de dominação dos teoricamente mais fracos, ao qual destaco o intervalo compreendido entre o início e o final do século passado, eles (“políticos”) sempre dirigiam a vontade popular ao amarrarem o parlamentar representante do povo. Vossas Excelências juraram defender as constituições federal, estadual, lei orgânica do Município de Bauru e norma específica da Câmara Municipal, é factível que, muito além dos estatutos das vossas agremiações políticas, as vontades de pseudos dirigentes emergem de um passado sombrio, para ofuscar o Estado Democrático de Direito e fechar questão sob determinadas situações como a formação da mesa da Câmara, sem que haja o devido procedimento institucional partidário. Se buscarem o conhecimento das normas que os regem, Vossas Excelências poderão olhar para o povo e dizer porque foram escolhidos se dobrarem-se a caprichos de dirigentes partidários. A vontade partidária de um dirigente político nem sempre significa o reflexo do texto estatutário de um partido. Sejam autênticos representantes do povo, mas sempre olhando a norma posta, que não dá espaço para vontades casuístas. O Natalino votou bem, se a sua convicção não o levava a votar com a representação parlamentar elitista de Bauru, a vontade de seus dirigentes não poderia pô-lo contra os anseios dos eleitores da Pousada Esperança, Vila São Paulo, etc., que buscaram um genuíno representante político em uma eleição, na qual tanto se falou de “renovação”. O dirigente político não vai ao bairro, não representa o povo junto ao mandatário municipal e nem pode atender aos anseios populares senão à vontade própria.
Aliás, em tudo que vi na Câmara Municipal aponto o sofrimento de parlamentares que não mais estão na Casa de Leis - “leões sem dentes”, como disse João Parreira de Miranda -, que não podem mais favorecer o clientelismo legislativo com aberturas de corredores comerciais e outros ranços políticos. Basta! O Povo está atento e não se pode esquecer que durante 20 anos Bauru viveu problemas sérios com nossos representantes políticos até praça de guerra virou a Avenida Rodrigues Alves. A instituições são sólidas e não serão condescendentes com práticas escusas no palarmento. Feliz ano novo e uma boa legislatura.
Sebastião Fernando Gomes