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Eles venceram a falta de dinheiro

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Adelson, Ivanildo, Andrea e Leda estão apenas iniciando a vida profissional, mas já podem se considerar vitoriosos. Com muita dedicação aos estudos, eles venceram o obstáculo da pobreza e estão garantindo um futuro promissor. Eles são exemplos de que a falta de dinheiro nem sempre impede o ingresso em uma faculdade e a realização do sonho de ser “alguém na vida”. Mais do que uma conta bancária recheada, é preciso ter vontade, determinação e muita garra para mudar destinos. E eles tiveram.

Adelson Luís Ferreira da Silva teve uma infância pobre, financeiramente falando, na pequena cidade de Lucélia, perto de Adamantina. Ele não teve pai e diz ter sido criado por uma tia, que tinha como única fonte de renda uma pensão no valor de um salário mínimo. Determinado, ele decidiu deixar sua cidade natal em busca de uma transformação social.

As mudanças começaram com sua aprovação para o curso de artes cênicas na Universidade do Sagrado Coração (USC). Ele foi morar em uma kitnet e, inicialmente, pagou as despesas com a reserva que havia feito ainda em Lucélia. No segundo semestre, Adelson conseguiu uma bolsa de estudos no valor de um salário mínimo, que foi sendo renovada e continua sendo de grande ajuda até hoje. Adelson termina o curso este ano. Segundo ele, muito mais do que um diploma, a universidade o ajudou a desenvolver o senso crítico.

“O acesso à informação e à cultura me fez enxergar valores que transcendem a necessidade de usar a roupa da moda, o carro do ano, o perfume mais caro. Percebi que tudo isso são coisas supérfluas, que existem valores muito mais interessantes”, comenta. “Eu amadureci muito nesses anos, principalmente quando descobri que não existe nada mais prazeroso do que ter consciência da minha liberdade”, filosofa.

Filho de trabalhadores rurais, Ivanildo Inácio de Lima deixou pais e irmãos em Bariri para morar em um dos quartos do alojamento da Universidade de São Paulo (USP) em Bauru. Ele relata que quando pediu a conta da empresa onde trabalhava para assumir uma vaga no curso de fonoaudiologia a apreensão tomou conta de todos, principalmente da mãe, que achava que ele não conseguiria terminar a faculdade por falta de dinheiro.

Na opinião dela, o filho iria terminar frustrado, desempregado e a família sucumbiria junto. Afinal de contas, o dinheirinho que ele recebia iria fazer muita falta. Os pais haviam se separado seis meses antes de ele passar no vestibular. A única renda da família era a pensão do pai. Apesar da apreensão geral, Ivanildo não desistiu. Largou tudo e veio para Bauru tentar a sorte.

“Cheguei na USP com uma mão na frente e outra atrás”, relembra. Tudo o que ele tinha eram R$ 40,00 no bolso. Sem ter como se sustentar em Bauru, Ivanildo procurou a assistência social da USP em busca de ajuda. “Me disseram que se eu conseguisse dinheiro para alimentação e um lugar para ficar no primeiro mês, depois a universidade daria um jeito.”

Dito e feito. No segundo mês, Ivanildo já contava com bolsa moradia e bolsa alimentação. No sexto mês, foi contemplado com a bolsa biblioteca, ou seja, passou a receber para auxiliar na organização dos livros e em pesquisas. Com alojamento e alimentação garantidos, ele passou a mandar dinheiro para a família para ajudar na despesa da casa.

“Foram quatro anos de muitas dificuldades e alegrias. Era um tombo aqui e uma subida ali” relata. Mal terminou a graduação, Ivanildo já faz planos para o mestrado. “Eu não venci sozinho. Sei que parte dos méritos é minha, mas tive a felicidade de contar com a ajuda de outras pessoas. Quando tudo parecia que iria desabar, algo de bom acontecia”, conta.

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