Na virada do ano, são inumeráveis os pedidos. Saúde, paz, dinheiro, emprego, casamento, passar nos exames, cura de doença, segurança, ganhar na sena. Muitos montam a “árvore da esperança ou dos desejos” para pendurar seus pedidos. Outros vão às suas igrejas e rezam com fervor.
Todos pedem, mas quantos estarão dispostos a fazer alguma coisa para que os seus desejos se tornem realidade? Diz o espírito iluminado de André Luiz: “Você acredita na vitória do bem sem que nos disponhamos a trabalhar para isso?”
Entre as historinhas de conversas familiares, uma diz de um devoto de São Sebastião, que toda semana ia à igreja e na frente da imagem do santo rezava e pedia para ganhar na loteria. Um dia, o sacristão, cansado de ouvir aquela ladainha, ficou escondido atrás da imagem e quando o devoto terminou o seu pedido, disse, como se fosse o santo: mas pelo menos compre o bilhete, filho.
Brincadeira à parte, James H. Hunter, no livro “Líder Servidor”, conta que um famoso psiquiatra, já na casa dos 80, foi solicitado a fazer uma recomendação a uma pessoa prestes a sofrer um colapso nervoso. A recomendação foi: “Tranque a casa, vá até a parte mais pobre da cidade e faça alguma coisa para ajudar as pessoas necessitadas.”
A imensa maioria pede paz. Paz no convívio com a família; paz no ambiente de trabalho; paz no convívio social e religioso; paz de espírito. Muito bem, mas quantas vezes, em vez de se irritar com o cônjuge, com os pais ou com os filhos, procurou ser apaziguador, foi conselheiro, foi companheiro, abdicou de desejos próprios para satisfazer os de alguém do grupo familiar?
Paz no ambiente de trabalho, mas como respeitou chefes, subordinados e companheiros, quantas vezes tem colaborado com os colegas, ajudando-os na realização de suas tarefas, quantas vezes evitou intrigas e foi leal com todos? Paz no convívio social, mas como tem sufocado a inveja e o orgulho, para espalhar simpatia e para servir desinteressadamente?
Quem não pede para ganhar dinheiro ou para conseguir um emprego? Mas o que faz para merecer o sucesso num negócio ou para ser contratado? E o pedido para passar nos exames do vestibular ou de promoção de ano, o quanto tem estudado e deixado as baladas? Quantos têm segurado a gula e o prazer das bebidas, principalmente em época de festas, para não estragar a saúde? Quantos fazem alguma coisa para evitar os acidentes, principalmente nas estradas, onde, a cada ano morre mais gente?
É preciso entrar no novo ano com esperança, mas é necessário completá-la com a ação. Não se espera que as pessoas se tornem heróis ou santos. O que se espera é que as pessoas sonhem, desejem uma vida melhor, mas que usem o bom senso e façam alguma coisa que contribua para que eles se realizem. Desejemos um Feliz Ano Novo fazendo alguma coisa ou doando algo de nós para que assim seja.
O autor, Pedro Grava Zanotelli, é consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru