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Dr. Automóvel: Troca de amortecedores

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Um dos principais componentes do sistema de suspensão é o amortecedor, cuja função é de fazer com que o movimento oscilatório da mola seja amortecido e tenda a parar, para não ficar pulando indefinidamente. Isto faz com que a suspensão absorva os impactos do piso e não os retransmita ao habitáculo, proporcionando conforto aos ocupantes durante a viagem.

Como qualquer outro componente mecânico do carro, o amortecedor tem sua via útil e ao final desta deve ser trocado. Como funciona em paralelo com outro do lado oposto na mesma suspensão (dianteira ou traseira), ambos devem ser trocados aos pares na mesma oportunidade. Mas como saber se é hora certa de trocá-los? Será que só por que o mecânico disse para trocá-los, como saber se ainda dá para rodar mais 10 ou 15.000 km?

Cada motorista faz um uso específico do seu veículo, portanto passa por ruas e estradas diferentes de outro. Assim, não dá para ter uma regra geral de troca. As fábricas especificam prazos para uma troca preventiva, usando critérios estatísticos e uma base média de desgaste, como se todo mundo andasse igual. Os fabricantes de amortecedores querem mais é vender seus produtos, portanto quanto mais cedo trocar, melhor para eles. Lembram-se daquele anúncio da Cofap que dizia que amortecedor durava 30.000 km e precisava de troca? Muita gente usa isso como parâmetro e perde dinheiro trocando o que não precisa. Ainda por cima, alimenta sem saber outro mercado de picaretagem, que é o de peças usadas ou remanufaturadas. Seu amortecedor usado ainda bom será lavado e revendido para outro espertinho que não quer (ou não pode) comprar um novo e pronto, alguém ganhou uma grana em cima de você. Nos remanufaturados, eles deveriam ser desmontados e substituídos os componentes internos para poder voltar ao mercado, devidamente identificados como tal. Mas o que acontece é diferente na maioria dos casos. É dada uma lavagem externa, uma pintura e só. E tem gente que compra!

Hoje em dia os fabricantes preconizam a troca a cada 40.000 km ou 2 anos de uso, alegando que após este período seu desempenho cai sensivelmente e pode comprometer outros componentes da suspensão, como pivôs, molas e buchas. Mas toda doença apresenta alguns sintomas que podem ser diagnosticados precocemente. No caso de seu carro apresentar desgaste irregular nos pneus ou instabilidade em curvas, é um identificador de problemas no amortecedor, alinhamento ou de desbalanceamento da roda.

Existe um equipamento chamado Shock Tester que serve para avaliar os amortecedores sem ter que desmontá-los da suspensão. Ele avalia a resposta dinâmica que o amortecedor oferece a um impacto pré-determinado de teste ou a altas freqüências de impacto. É um teste rápido e muito eficiente, mas ainda não são todas as oficinas que dispõem deste equipamento. O resultado deste teste é apresentado por um laudo percentual de eficiência. A recomendação de troca é quando se atingem 60% de eficiência na dianteira e 50% na traseira, fora isso ainda pode rodar mais um tempo.

Uma forma eficiente (para quem conhece) de verificar o estado dos amortecedores sem desmontar nada é pressionar a carroceria para baixo sobre cada roda e verificar a oscilação da suspensão. Amortecedores em ordem fazem com que o movimento cesse antes da terceira oscilação da mola; mais do que isso, o amortecedor está sem efeito. O procedimento correto para um bom diagnóstico é primeiramente levantar o veículo e avaliar o estado geral da suspensão. Verificar se as rodas dianteiras apresentam folgas excessivas, girando-as para esquerda e para direita; se ao girar as rodas, estas estão oscilando, o que pode mostrar um problema com os rolamentos. A seguir, se checam os amortecedores quanto a vazamentos (verifique se o corpo do amortecedor está manchado de óleo), onde a poeira se acumula mais. Em seguida, olhe as buchas de fixação, usando uma barra do tipo pé de cabra, com ponta chata, para conferir folgas de assentamento. Se houver folgas, as buchas deverão ser substituídas. Por último, devem-se sacar os amortecedores e avaliar um por um. Se tiver marcas de vazamento ou haste empenada, troque o par (direito e esquerdo); se as borrachas das buchas de fixação do amortecedor estiverem danificadas e o amortecedor ainda bom, troque apenas as borrachas.

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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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