A junção de dois fatores mudaram para melhor a qualidade do ensino infantil, tornando a base educacional das crianças mais sólida. Primeiro, a emancipação das mulheres encheu as creches. Sem ter com quem deixar os filhos, elas levaram para as escolas, onde as crianças passaram a conviver juntas. A qualidade da convivência veio a partir de 1996 quando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) passou a exigir mais atenção com o ensino infantil. A partir daquele momento, ele passaria a ser a primeira etapa para a educação básica.
“Até 1996, a educação infantil não era muito valorizada, as crianças estavam na escola apenas para serem cuidadas enquanto os pais trabalhavam. Não havia a preocupação em cuidar e ensinar”, lembra a pedagoga Vera Lúcia Capellini, do Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. Segundo ela, isso fez uma grande diferença na vida de todos. “As crianças aprenderam a refletir”, cita.
Vera acredita que o País está vivendo uma nova transição. Ela diz que em suas viagens por diversos Estados brasileiros notou que muitos municípios estão investindo em uma educação básica de qualidade, que prioriza a capacidade intelectual, cognitiva, física, afetiva, estética e ética dos alunos.
Na opinião dela, a escola torna-se cada vez mais importante à medida que se preocupa com a formação por inteiro do indivíduo e não apenas com o aspecto intelectual. Além disso, a escola é importante, especialmente para as crianças, porque proporciona os relacionamentos interpessoais, tira os pequenos do egocentrismo, ensina-os a conviver com outros, a dividir, a respeitar regras, incita a curiosidade de conhecer o ambiente ao redor dele.
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Inversão de valores
Atualmente, o que vemos nas escolas de ensino médio é uma preocupação quase única de preparar o aluno para enfrentar o vestibular. O currículo escolar é baseado naquilo que os principais vestibulares do País pede, quando, na verdade, deveria ocorrer exatamente o contrário. Na opinião da psicóloga em educação Marisa Eugênia Melillo Meira, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, é o vestibular que deveria se adaptar ao conteúdo oferecido pelas escolas.
Segundo ela, essa é uma distorção que prejudica a qualidade do ensino médio. As escolas evitam trabalhar a formação crítica do aluno por falta de tempo. Elas priorizam a preparação para o vestibular em detrimento da preparação para a vida, para o trabalho e também para o vestibular.
Diante disso, resta a esperança de uma mudança no perfil do vestibular, o que parece estar acontecendo. Marisa lembra que os últimos vestibulares públicos, que são os mais concorridos, portanto os que ditam as regras dentro da escola, estão explorando a capacidade de análise dos candidatos e não apenas o que ele conseguiu decorar.
“Essa idéia de decorar está mudando. Estão percebendo que o perfil mais técnico dos candidatos não está dando conta da necessidade do mercado”, argumenta a psicóloga. Segundo ela, a tendência é que essa mudança vire referência para o ensino médio e a preocupação se volte para a formação de futuros profissionais mais críticos e criativos.