A faixa dupla contínua pintada no asfalto indica que naquele trecho da rua Waldemar Pereira Silveira, no Distrito Industrial 1, a ultrapassagem é proibida. Mas diante do enorme buraco que ocupa quase toda a largura faixa, os motoristas não têm dúvidas: entram na pista do fluxo contrário para evitar a cratera. Depois de um período chuvoso como o da última semana, a quantidade de buracos aumentou em Bauru e, com isso, as manobras arriscadas para evitar as crateras, também.
Há mais de dez anos a dona de casa Maria Batista mora na quadra 8 da rua Braz Di Flora, na Vila Rocha. Bem na esquina da casa dela, no cruzamento com a rua Alice de Azevedo Marques, uma buraco praticamente rasga o asfalto de uma ponta à outra da rua. Ela contou que os moradores chegaram e pedir a construção de uma canaleta no local, por meio de um abaixo-assinado. “Nos contaram que era uma coisa simples, que era só entregar o pedido. Mas até agora não deu em nada”, conta.
Para evitar a parte mais profunda da “valeta”, os veículos que passam por lá acabam invadindo a contramão. Um ônibus que realiza o transporte coletivo chegou a fazer o embarque e desembarque do lado oposto de onde está instalado o ponto para evitar a cratera. “O pessoal vive fazendo isso (entrar no sentido contrário) para não estragar o carro”, conta a moradora.
Ainda não ocorreu nenhum acidente no local, mas o perigo existe. “Há uns 20 dias contratei um homem para retirar o mato que cresceu no meio-fio. Ele estava trabalhando quando quase foi atropelado por um carro que teve que entrar na outra pista para desviar do buraco”, lembra.
No Núcleo Beija-Flor, a situação se repete. Na quadra 2 rua Délio Hermes de Oliveira Coragem, a seqüência de buracos obriga verdadeiros ziguezagues na rua. Há três anos morando no bairro, a aposentada Celeste Parrela Carloi, 70 anos, conta que os motoristas reclamam bastante. “Esses buracos abriram na última chuva e ainda não apareceu ninguém para tapar. Os motoristas reclamam muito, mas quem não reclama?” questiona.
Segurança
Mesmo para desviar de buracos, transitar pela calçada constitui infração de trânsito, explica o capitão Renato Ramos, comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar (PM). Já desviar de um buraco seguindo alguns metros pela via contrária não é uma infração desde que não coloque ninguém em risco e exista visibilidade. "É como se o motorista fosse efetuar uma ultrapassagem”, observa.
E mesmo as ultrapassagens devem seguir as regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Nos cerca de 10 minutos que a reportagem permaneceu na quadra 4 da rua Waldemar Pereira Silveira, flagrou dezenas de carros, motocicletas e caminhões desviando do buraco e ultrapassando em local proibido - desrespeitando a faixa dupla contínua na pista.
O buraco está lá há uma semana e, de acordo com Antônio Alves, responsável por uma borracharia instalada na quadra 4 da via, ele foi aberto para a manutenção da rede de esgoto. “Depois que eles consertaram, tamparam o buraco mas não asfaltaram. E com o tanto de caminhão carregado que passa por aqui e a chuva da semana passada, o buraco só aumentou”, conta. O caso não seria tão diferente do que acontece no restante da cidade se o buraco não ficasse na esquina da Usina de Asfalto, de onde saem as equipes de tapa-buracos e recapeamento da prefeitura.