Bogotá - A disputa política entre o governo da Colômbia e a senadora oposicionista Piedad Córdoba, que negocia com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) a libertação unilateral de seis reféns, provocou um atraso de ao menos um dia na missão que retiraria ontem do cativeiro o ex-governador do departamento (Estado) de Meta, Alan Jara.
Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que coordena a operação com apoio logístico do Exército brasileiro, há gestões para retomar o “quanto antes”, provavelmente hoje, a planejada liberação de Jara, refém há quase oito anos.
O porta-voz do CICV, Yves Heller, disse que a missão dependerá das condições climáticas e de “alguns detalhes”. Já a senadora Córdoba afirmou que a missão deve partir de Villavicencio (115km de Bogotá) hoje às 8h (11h no Brasil).
Anteontem, os primeiros quatro reféns - três policiais e um soldado - foram entregues ao CICV e a Córdoba, na primeira das três etapas previstas para a operação. Além de Jara, espera-se que o ex-deputado Sigifredo López seja solto.
O anúncio da retomada da operação ontem veio após um dia de trocas de acusações entre o presidente Álvaro Uribe e o grupo de mediadores liderados pela senadora, o Colombianos pela Paz. O motivo foram os voos realizados por militares colombianos na área em que o helicóptero Cougar do Exército brasileiro encontraria os reféns na selva. Durante a operação, um dos mediadores acusou Bogotá - na rede de TV chavista Telesur - de violar o acordo feito com o CICV.
A tensão chegou ao nível máximo quando Uribe decidiu proibir que a senadora Córdoba e integrantes do Colombianos pela Paz participassem das demais fases da operação.
O colombiano recuaria muitas horas depois, a pedido do CICV - a presença de Córdoba, assim como de um fiador “estrangeiro”, foi uma exigência das Farc para a libertação.
“O governo não pode permitir que o terrorismo siga fazendo festa com a dor dos sequestrados”, disse Uribe em evento ao lado dos ex-reféns, em parte transmitido pela TV.
Atentado
Em nota, o governo acusou o grupo de apoiar as Farc no mesmo dia em que um atentado deixou dois mortos e mais de 30 feridos na cidade de Cali. Bogotá atribuiu o ataque a um posto policial à guerrilha.
Segundo o jornal “El Colombiano’’, cinco jovens estão entre as vítimas da explosão que ocorreu logo após a libertação de quatro reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no último domingo (1º)
“Alguns abusaram do papel de mediadores. Falar na TV durante a ação é quebra de confidencialidade”, disse à reportagem o analista Alfredo Rangel, próximo do uribismo.
Tanto o governo como os oposicionistas ligados a Córdoba disputam os dividendos políticos de serem aclamados por ex-cativos após sua libertação das condições desumanas dos cativeiros das Farc. Uribe busca ainda sufocar a tentativa do grupo de relançar o tema do “acordo humanitário”: a troca dos reféns que lhe restam por rebeldes presos.