Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem que na próxima semana o Departamento do Tesouro vai apresentar uma nova estratégia para reativar a circulação de crédito no país. Além disso, o presidente anunciou um limite de US$ 500 mil anuais para remuneração dos executivos de instituições financeiras que receberam ajuda do governo.
Em um breve pronunciamento, ao lado do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, Obama disse que a nova estratégia para recuperar o mercado americano de crédito vai levar em conta “as lições aprendidas com os erros do passado e vai assentar as bases para o futuro”. Geithner, por sua vez, disse que a crise atual levou a uma “perda de fé na qualidade do juízo feito por executivos”. Segundo ele, essas falhas de juízo causaram “grandes problemas no mundo todo”, afetando famílias e empresas que precisam de crédito. “Há um senso profundo no pais de que quem não teve culpa (pela crise) está pagando um preço mais alto que quem teve”, disse.
Obama voltou a criticar os executivos de Wall Street por receberem US$ 18,4 bilhões (R$ 42,4 bilhões) em bônus em 2008, em meio a uma economia em recessão. Ele disse que essa atitude não revela apenas um “mau gosto, mas também uma má estratégia”. “A fim de restaurar nosso sistema financeiro, temos de restaurar a confiança. E a fim de restaurar a confiança, temos de deixar claro que os recursos dos contribuintes não estão subsidiando pacotes excessivos de compensações para Wall Street”, afirmou. “Vamos exigir algumas restrições em troca da ajuda federal.”
Desarmamento
O governo dos EUA prepara uma ambiciosa proposta de desarmamento nuclear à Rússia, que, se bem-sucedida, reduzirá os respectivos arsenais em 80% (de 5.000 para 1.000 ogivas), noticiou ontem o “The Times’’. A notícia teve receptividade entre representantes do Kremlin, embora não tenha sido confirmada pela Casa Branca.
Segundo o jornal britânico, a iniciativa do governo Obama está ligada a uma revisão da política seguida por George W. Bush de instalar um escudo antimísseis no Leste Europeu - que encontra vigorosa oposição de Moscou.
Dick Cheney critica
Na primeira entrevista concedida desde que deixou o cargo, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Dick Cheney (2001-2008) criticou as visões do novo presidente, Barack Obama, sobre a luta contra o terrorismo; disse ver uma “alta probabilidade” de que o país sofra um atentado nuclear ou biológico nos próximos anos e defendeu a prisão na base militar de Guantánamo, em Cuba, dizendo tratar-se de um “programa de primeira classe”. Proteger os EUA, diz Cheney, “é um trabalho difícil, mau, sujo e asqueroso”.