Bogotá - Uma missão humanitária apoiada pelo Brasil chegou ontem ao sudoeste da Colômbia para receber na selva um político sequestrado pelas Farc, na última parte de uma operação que já havia permitido a soltura de cinco outros reféns.
A missão de delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CIRV) liderada pela senadora Piedad Córdoba chegou à cidade de Cali, capital do departamento de Valle, em dois helicópteros brasileiros, um dos quais partirá hoje para receber na selva o ex-deputado Sigifredo López.
López, um advogado de 45 anos, foi sequestrado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em abril de 2002 quando rebeldes se passaram por membros da Polícia e do Exército e sequestraram 12 deputados no centro de Cali.
O político foi o único dos 12 reféns a sobreviver a um massacre das Farc em junho de 2007 quando, de acordo com o governo, um erro de comunicação entre dois comandantes rebeldes provocou um embate em que reféns políticos foram assassinados.
Anteriormente, a missão humanitária havia recebido três policiais e um soldado e, mais recentemente, na terça-feira, o ex-governador do departamento de Meta, Alan Jara.
López será o último dos seis reféns que os guerrilheiros se comprometeram, em dezembro do ano passado, a libertar de maneira unilateral, no que disseram ser um gesto de paz que busca facilitar um acordo de troca de sequestrados por rebeldes presos nas cadeias da Colômbia.
Troca de acusações
Após o encontro com a família anteontem, Jara acusou Uribe de não fazer nada pelos sequestrados. Na primeira aparição horas depois da libertação, Jara disse que a atitude do presidente indicava “que lhe convém a situação de guerra vivida no país”. “De todo coração sinto que o presidente Uribe não fez nada para garantir nossa liberdade”, disse Jara.
O presidente colombiano Alvaro Uribe revidou as críticas de Jara com uma advertência às Farc de que “não se deixará enganar”, tendo reafirmado a política de luta contra a guerrilha. O alto comissário para a Paz da Colômbia, Luis Carlos Restrepo, apresentou em seguida a renúncia ao presidente, segundo o site da revista Semana.
Na tarde de ontem, Restrepo deixou inesperadamente a cidade de Villavicencio, onde representava o governo na operação que libertou o ex-governador Alan Jara. Pouco antes, uma ordem do palácio de governo havia revertido uma decisão dele: a de vetar a presença de jornalistas no aeroporto em que Jara chegaria. É a quarta vez que ele pede demissão desde 2002. Uribe ainda não se pronunciou.