Política

Direto com o Criador

Renato Zaiden
| Tempo de leitura: 3 min

Não foram poucos os que o arquiteto Jurandyr Bueno Filho prestigiou em vida com a sua amizade e benemerência, assim como não foram tantos quantos ele gostaria os que puderam ter, além da sua convivência, a competência, o talento e a criatividade para os projetos da sua arquitetura, personalizadas e materializados. Mas com certeza foram muitos - praticamente todos os bauruenses contemporâneos, aqui nascidos ou que adotaram Bauru para viver - , os que puderam desfrutar da sua obra como urbanista. Com curvas retas e ângulos ousados, no concreto e na cerâmica, e em tantas outras matérias-prima, com arte, métodos e disciplina, luzes, sombras e contrastes, ele traçou a cidade coração de São Paulo em toda sua grandeza, sem limites.

Através de Jurandyr, Bauru se tornou ainda mais pluralista e, por que não, maurorasianamente dizer, a capital do nosso mundo? Vanguardista, de uma alegria adolescente, com energia caipira de raiz, irreverência de rock’n’roll, mas sem nunca deixar de ser discretamente bossa-nova. Vitória Régia, Nações Unidas, avenida Nuno de Assis, USC, USP, o Plano Diretor... Todos foram presentes de Jurandyr a Bauru que, no dia em que foi eleito vereador, compareceu no JC acompanhado de assessores, amigos e do também eleito vereador Amarildo.

Diratemente do Café com Política, ligou para o amigo e ídolo Alcides Franciscato e disse: “Chicato, conseguimos! Estamos na Câmara. Vamos, mais uma vez, trabalhar por Bauru. Vamos voltar aos bons tempos do trabalho, trabalho e trabalho. Obrigado, Chicato! Você é o responsável por isso!” Conversaram animadamente e logo na seqüência ao telefonema, me confidenciou: “Meu sonho é fazer mais pela cidade, por todas essas pessoas, porque eu já recebi muito da cidade, já fui homenageado em vida. A começar pela primeira oportunidade, quando o Franciscato me levou para a prefeitura, onde trabalhamos no Plano Diretor. Depois quando ele me lançou para vice-prefeito com o Edmundo Coube e, agora, novamente, quando ganhamos esse mandato. Quero fazer muita coisa nova pela nossa cidade. Tenho certeza de que, com vontade e determinação, é possível. Você também não acha?”, indagou.

Ontem, durante todo o dia, no Santuário do Sagrado Coração e no Cemitério Jardim do Ypê, as homenagens continuaram, agora póstumas, por seus consangüíneos e por seus amigos e também com laços fortes, dos familiares da sua equipe. Unidos pelos laços da solidariedade, da gratidão, por seus amigos e por muitos outros que se não privavam de maior proximidade com você se sentiam também familiarizados pela convivência com o homem público, multimídia, com a sua obra e com o seu jeito intenso de ser, de se envolver e se empolgar com o criar, o fazer, o resgatar, o começar de novo.

Sabíamos, “caro Jura”, dos seus sonhos e projetos para Bauru, que agora pretendia realizá-los com o mandato no Legislativo. Mas as coisas não aconteceram assim. Talvez porque a lida na Câmara o desafiasse e, na prática, o limitasse. Talvez até mesmo porque pela grandeza dos seus sonhos fosse importante colocá-los em outro patamar. Levá-los bem para o alto para que todos possam vê-los. Mas você, além de contar com a memória e a vontade dos que ficaram, ajudando a concretizá-los, pode como arquiteto, ter o privilégio de agora mostrá-los diretamente para o Criador.

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