Somente na agência Nippon Tour, com sede em Bauru, cerca de 200 pessoas aguardam vaga de trabalho para tentar a vida no Japão. O número inclui os que procuraram não apenas a sede, como as filiais em Marília, Araçatuba, São Paulo e Dourados. Muitos deles já estavam até com visto. É o caso do economista Tiaqui Ikeda. Desde a década de 80 ele trabalha como operário no país de seus ascendentes.
A mulher e a filha, no entanto, permanecem no Brasil, para onde ele sempre volta e fica por aproximadamente dois meses por ano. Foi assim no início de julho. Em outubro, quando iria retornar, a empresa “acendeu o sinal vermelho”. Atualmente, ele não tem previsão de voltar. “Acompanho a situação do mundo pela televisão, mas amigos me ligam e falam que está difícil mesmo. Quem sabe não melhora? Aí eu volto”, diz. Enquanto isso, o orçamento familiar dependerá apenas do salário da esposa, que é funcionária pública.
Ikeda, no entanto, recebeu a restituição do seguro que pagava quando estava no Japão. “O pessoal que volta tem que procurar a restituição dos impostos. Tem gente que não sabe”, destaca Edson Takao Koaro, proprietário da Nippon. Uma das grandes agências do país, ela já encaminhou de 100 a 120 dekasseguis por mês ao país do sol nascente. “Hoje, não caia na promessa de ir para o Japão, a não ser que seja de uma pessoa muito confiável, um irmão que esteja lá”, alerta.
Ele espera que um ano a situação se reverta, mas acredita que até julho não mandará ninguém para o Japão. De acordo com Edson, de um ano para cá, a disponibilidade de vagas começou a cair. “Mas a partir de dezembro teve um corte radical”, comenta. O empresário vê com gravidade a crise, mas frisa que muita gente do Brasil enriqueceu no Japão. A procura pelas viagens começaram em 1988.
Por conta da população envelhecida e a conseqüente escassez de mão-de-obra, além do crescimento econômico e dos japoneses rejeitarem muitos serviços braçais, foi aberto um filão de vagas de trabalho. Em 88 os nisseis (2ª geração dos imigrantes japoneses ao Brasil) tinham autorização do governo japonês para serem contratados por empresas de lá. Logo depois, os sanseis (3º geração) receberam o mesmo benefício. Ambos tinham direito a visto.